O confronto de longa distância entre Itália e Espanha continua. Roma decidiu não reabrir as fronteiras aéreas e marítimas com Madrid por mais 15 dias. Ontem, segunda-feira, 31 de agosto, expirou o mês de suspensão do acordo de Schengen, que levou ao restabelecimento dos controlos nos portos e aeroportos aos passageiros provenientes do país ibérico a partir de 1 de agosto, após a crise migratória no enclave de Ceuta. E Roma optou por prolongar a suspensão do acordo por mais duas semanas.
A contra-medida de Madrid chegou pouco depois, prolongando o seu bloqueio por duas semanas além de 6 de Setembro, quando o imposto em 8 de Agosto passado teria expirado. A decisão, segundo fontes do Ministério do Interior espanhol, foi tomada em reciprocidade com o italiano.
Tajani explica a extensão do bloqueio
Numa conversa com Monica Guerzoni no Corriere della Sera, o ministro dos Negócios Estrangeiros e vice-primeiro-ministro Antonio Tajani motivou a decisão de prolongar o bloqueio Schengen com Madrid da seguinte forma: “A nossa prioridade é a segurança interna.
“Durante o último mês houve 31 rejeições nas fronteiras marítimas e aeroportuárias, das quais oito eram marroquinas. Seis foram detidos. Não são poucos. A emergência em Ceuta não é invenção nossa, chegaram quase cem mil pessoas, a polícia disparou e não se sabe quantas ficaram”, acrescentou Tajani.
Nas últimas horas, o Ministério do Interior anunciou que a decisão de prolongar a suspensão de Schengen com Espanha “foi tomada em linha com a análise realizada pela Comissão de Análise de Imigração e Segurança de Fronteiras, devido à persistência dos elementos de avaliação que tinham estado na base da sua reintrodução no dia 1 de agosto, mas ao mesmo tempo tendo também em conta as iniciativas já lançadas por Espanha, em conjunto com a União Europeia, para que a situação naquela área possa caminhar para uma quase normalização”.
Piantedosi: “A extensão Schengen é necessária”
“É necessário. É uma decisão motivada pelo facto de haver uma análise feita pelos especialistas que se reúnem na Comissão de Análise de Segurança Fronteiriça”, afirmou o ministro do Interior Piantedosi. “Limitamos a prorrogação a 15 dias porque se por um lado a análise feita por especialistas indica que se mantêm as razões pelas quais esta medida foi iniciada, por outro lado é certamente apreciável o esforço que o governo espanhol está a fazer, em conjunto com a União Europeia, para ultrapassar a situação que se criou”. Destacou depois que “a medida não foi particularmente invasiva e generalizada e permitiu a normalidade dos trânsitos entre cidadãos europeus e por isso avançaremos”.
“Espero que possa ser a última prorrogação porque significaria que, como imaginamos, caminhamos para uma normalização da situação – acrescentou Piantedosi -. Estamos confiantes e também disponíveis para qualquer forma de colaboração com Espanha e a União Europeia”.
Antonio Tajani também falou sobre o assunto ontem. “A prioridade do governo é garantir a segurança das fronteiras e de todos os cidadãos italianos. A situação em Ceuta ainda não está resolvida.