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Rutte: “A Rússia continuará a ser uma ameaça a longo prazo, mesmo no caso de um acordo de paz”

O secretário-geral da NATO disse que a proposta discutida entre os Estados Unidos e a Ucrânia contém “elementos sólidos”, mas que ainda exigirá “muito trabalho”

Mesmo que haja um acordo para acabar com a guerra na Ucrânia, “a Rússia continuará a ser uma ameaça a longo prazo”. Isto foi afirmado pelo Secretário Geral da OTAN, Marcos Rutenuma entrevista concedida ao jornal espanhol “El País”, sublinhando que esta avaliação torna “inevitável” um forte aumento dos investimentos europeus na defesa. Segundo Rutte, o atual presidente dos Estados Unidos também foi fundamental na tentativa de desbloquear as negociações com Putin. “Partilho plenamente a sua visão: esta carnificina tem de acabar”, disse ele numa passagem da entrevista. A nível militar, Rutte reivindicou os resultados do mecanismo Purl, através do qual os europeus compram armamentos dos EUA para a Ucrânia. Segundo o secretário-geral, Kiev recebe mensalmente cerca de um bilhão de dólares em equipamentos e, até o final do ano, o valor total deverá chegar a cinco bilhões. Quanto às negociações de paz, Rutte disse que a proposta discutida entre os Estados Unidos e a Ucrânia contém “elementos sólidos”, mas que ainda exigirá “muito trabalho”. A este respeito, reiterou que Moscovo “não pode ter qualquer papel” na decisão da entrada de Kiev na NATO, ao mesmo tempo que admitiu que, na ausência de unanimidade entre os aliados, a adesão não é praticável neste momento. Por esta razão, ele indicou como essenciais garantias de segurança “suficientemente robustas” para desencorajar futuros ataques russos.

Segundo o antigo primeiro-ministro holandês, qualquer acordo com Moscovo deve basear-se em incentivos claros e custos elevados em caso de violação. “A confiança é uma vantagem, não a base. É preciso deixar claro que tentar novamente um ataque teria consequências devastadoras”, destacou. Rutte contestou então abertamente as estimativas do governo espanhol, segundo as quais Madrid será capaz de alcançar os objectivos da Aliança com despesas iguais a 2,1 por cento do PIB na defesa. “Não é realista. Espanha terá de atingir 3,4-3,6 por cento”, explicou, acrescentando que os novos requisitos aprovados pelos ministros da Defesa – sistemas anti-mísseis, capacidades de manobra e armamentos de longo alcance – estabeleceram o novo nível de 3,5 por cento como referência operacional. Ao sublinhar que a Espanha “está a fazer muito mais” e ao agradecer ao governo de Pedro Sanches Para o aumento dos investimentos e a contribuição para apoiar iniciativas em Kiev, o secretário-geral da NATO reiterou que os compromissos assumidos exigem “recursos muito maiores”. Quanto à possibilidade, expressa pelo presidente dos Estados Unidos Donald Trumpde expulsar Madrid da NATO se não respeitar os seus compromissos, Rutte garantiu que a questão “não está em cima da mesa”, ao mesmo tempo que “espera” que Espanha honre os seus objectivos.

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.