Os analistas da Home Security Investigation, órgão investigativo do Ice, trabalharão exclusivamente dentro de seus escritórios diplomáticos e não no território
Esta manhã teve lugar no Ministério do Interior uma reunião entre o Ministro do Interior Matteo Piantedosie o Embaixador dos EUA na Itália, Tilman J. Fertitta. Na ocasião foi confirmado que para as Olimpíadas Milão-Cortina as autoridades americanas entre as diversas agências envolverão também a Home Security Investigation, órgão investigativo do Ice – portanto não o braço operacional da agência – e que seus analistas trabalharão exclusivamente dentro de seus escritórios diplomáticos e não no território. Mais especificamente, por ocasião das Olimpíadas, os EUA instalarão uma sala de operações própria no seu Consulado em Milão, onde estarão presentes representantes de agências americanas potencialmente interessadas no evento. Neste contexto, na referida sala estarão também envolvidos peritos de Investigação de Segurança Interna, mas com função de apoio na gestão de grandes eventos no estrangeiro e nas relações com os Oficiais de Ligação.
Vale reiterar que os investigadores da Investigação de Segurança Interna serão representados não por pessoal operacional como os envolvidos em controles migratórios em território norte-americano, mas por representantes exclusivamente especializados em investigações, sem qualquer atribuição em território italiano e principalmente responsáveis pela consulta de suas bases de dados e apoio aos demais atores envolvidos. Os investigadores da Home Security Investigation – braço investigativo do Ice – estão presentes em mais de 50 países, inclusive na Itália há anos, mas não realizam operações ou serviços de controle de imigração em países estrangeiros. Todas as operações de segurança no território permanecem, portanto, como sempre, sob a responsabilidade e direção exclusivas das autoridades italianas.
Durante a reunião desta manhã, informa o Ministério do Interior, foi feito um balanço do estado de adiantamento do planeamento das actividades de segurança, confirmando o modelo de colaboração entre forças e a coordenação constante entre todas as administrações envolvidas, em linha com os padrões esperados para grandes eventos internacionais. Foi destacado o comprometimento global de aproximadamente 6 mil unidades do sistema de segurança nacional. O dispositivo envolve a utilização de sistemas avançados de vigilância, incluindo drones e dispositivos de vigilância aérea, para apoiar atividades de prevenção e controlo na área. É dada especial atenção à proteção da ordem pública, à segurança das infraestruturas e à gestão dos fluxos, bem como aos perfis de prevenção, inclusive no domínio tecnológico.
“Não é verdade que os agentes do ICE chegarão com tarefas operacionais”, e os “possivelmente presentes teriam um papel colaborativo, especialmente a nível técnico e regulatório, como fazem outros países e como acontece por ocasião de qualquer evento global”, explicou o ministro dos Negócios Estrangeiros. Antonio Tajani à margem do evento “A promoção das exportações italianas no mundo” na Farnesina. “O ICE nasceu como um órgão responsável pela segurança e depois também teve responsabilidades em matéria de imigração, mas as unidades dedicadas ao combate à imigração não serão as que eventualmente viriam para cá. Nem lhes cabe garantir a segurança física do presidente, do vice-presidente ou do secretário de Estado: esta tarefa é normalmente desempenhada pelo Serviço Secreto”, explicou. “A ordem pública na Itália, também por ocasião dos Jogos Olímpicos Milão-Cortina, será garantida exclusivamente pelos Carabinieri, Polícia Estadual e Polícia Financeira. Poderá haver a presença de representantes das forças policiais de outros países não no terreno, mas nas salas de operações, para contribuir na coordenação da segurança, como acontece em todos os grandes eventos”, disse Tajani.
“Para nós é uma prioridade garantir a segurança não só dos convidados, mas de todos os atletas. Em grandes eventos sempre há riscos: não temos sinais particulares, mas é preciso evitar qualquer ato hostil aos Jogos. Existe a trégua olímpica, mas a segurança ainda deve ser garantida. Mesmo em Mônaco tudo parecia seguro antes do ataque: é preciso prevenir, se não se quer sofrer atos hostis de qualquer espécie. E a prevenção também passa pela colaboração entre órgãos de segurança de diferentes países”, acrescentou o chefe do Farnesina. “Você não verá agentes do ICE na rua: na rua você verá os uniformes que você conhece, os dos Carabinieri, da Polícia Estadual e da Polícia Financeira”, concluiu Tajani.
Esta manhã, em nota, um porta-voz do Ice anunciou que a Agência “contribuirá para as operações de segurança dos Estados Unidos por ocasião dos Jogos Olímpicos de Inverno em Milão Cortina”, especificando que durante os Jogos “a Unidade de Investigação de Segurança Interna do Ice fornecerá apoio ao Serviço de Segurança Diplomática do Departamento de Estado e ao país anfitrião para verificar e mitigar os riscos derivados de organizações criminosas transnacionais”. A nota afirmava que “todas as operações de segurança permanecem sob autoridade italiana”.
Entretanto, o Partido Democrático, o Movimento Cinco Estrelas, a Aliança Verde e Esquerda, Action, Italia Viva e Più Europa pediram informações sobre o assunto na Câmara, especialmente ao Ministro Piantedosi, mas também a Tajani. “É claro que se o ‘Gelo vier’ não será aceito pela população. Se vier, o que não espero, farei de tudo para manter a situação calma”, disse o prefeito de Milão Giuseppe Sala entrevistado no SkyTg24. “Mesmo no que diz respeito a acontecimentos deste tipo, o nosso é um país que continua bastante calmo, pacífico. Não há exemplos recentes de ataques, tudo pode acontecer, mas não creio que seja situação para activar uma milícia privada como a de Ice”.