As informações obtidas supostamente incluíam detalhes do passaporte da acusadora do promotor do Tribunal Penal Internacional (TPI), as senhas que ela usou para suas contas online e um endereço de e-mail privado aparentemente obtido através da dark web.
O Catar teria contratado uma empresa privada para descobrir informações sensíveis úteis para desacreditar a mulher que acusou o promotor do Tribunal Penal Internacional (TPI) de abuso sexual, Karim Khan. Foi o que revelou o jornal britânico “The Guardian”, segundo o qual a empresa britânica de “consultoria estratégica” Highgate, com sede em Londres, foi encarregada de encontrar uma ligação entre a mulher e Israel, mas não surgiu nenhuma informação útil a este respeito. O objetivo, conforme reconstruído pelo “The Guardian”, era coletar provas que pudessem ser usadas para minar a credibilidade da mulher e, com ela, as acusações contra Khan. Para este fim, Highgate alegadamente recrutou a empresa de investigação Elicius Intelligence para recolher informações privadas sobre a acusadora e a sua família. Vale a pena mencionar que o procurador do TPI emitiu mandados de prisão em Novembro de 2024 contra o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu e o antigo ministro da Defesa Yoav Gallant, sob a acusação de cometerem crimes de guerra na Faixa de Gaza após 7 de Outubro de 2023.
Segundo o “The Guardian”, Highgate e Elicius Intelligence ainda teriam conseguido obter informações privadas importantes sobre a mulher. A operação encomendada pelo Catar teria começado no início de 2025. As informações obtidas incluíam os detalhes do passaporte do acusador de Khan, as senhas que ela usou para suas contas online e um endereço de e-mail privado aparentemente obtido através da dark web. Segundo o que foi relatado ao jornal britânico por fontes próximas do assunto, a equipa de Highgate também se reuniu com representantes do procurador do TPI, que, negando categoricamente as acusações, se afastou em maio passado enquanto se aguardavam as investigações sobre o alegado assédio. Numa declaração ao The Guardian, Highgate confirmou que liderou uma operação ligada ao TPI, mas insistiu que não agiu contra nenhum indivíduo, ao mesmo tempo que negou que tenha sido comissionado pelo “governo do Qatar”.