Sim, sim, o filme romântico The Last Sunrise é fofo, mas a saúde pública é melhor
The Last Sunrise – The Summer of First Times está transmitindo no Prime Video a partir de 26 de agosto, um filme romântico baseado no romance homônimo de Anna Todd, autora da saga After.
O filme é escrito por Anna Klassen e dirigido por Carlson Young (Upgraded – Love, Art and Lies), estrelado por Maia Reficco (a atriz argentino-americana vista em Pretty Little Liars: Original Sin, ex-namorada de Leo Gassmann), Fernando Lindez (Elite, Tell Me Under Your Voice) e Eva Longoria, que dispensa apresentações.
A história, como pode ser visto no trailer que relatamos no final da crítica, se passa em Maiorca, ou Maiorca se você quiser escrevê-la, mas o cenário espanhol não engana: Mercedes Ron, a outra estrela dos dramas românticos dos últimos anos (Culpables e Tell Me Softly), não tem nada a ver com este filme.
Por outro lado, a comparação entre Estados Unidos e Espanha/Europa nos levou a uma amarga reflexão: antes de nos explicarmos melhor, aqui está a trama sem spoilers de The Last Sunrise (que significa literalmente The Last Sunrise, mas talvez quem traduziu o título tenha a mesma alergia a “ascensão” do chefe de Dado Maresca).
Sobre o que é The Last Sunrise: mar, amor e esclerose tuberosa
Oriah conhecida como Ry (Reficco) é uma garota americana, estudante universitária e dançarina. Um dia, durante uma apresentação, ela tem uma crise epiléptica por esclerose tuberosa congênita e vai parar no hospital, onde os médicos lhe explicam que ela tem duas opções: fazer uma cirurgia, com o risco de perder partes importantes de sua memória, ou manter a doença sob controle com remédios que nunca vão curá-la. Com medo de perder a memória da dança, Ry decide tomar remédio.
Para o verão, sua mãe Isolde (Longoria) pede a Ry que a acompanhe em uma viagem de negócios à maior ilha das Baleares, de onde Isolde é originária e onde planeja construir um (mais um) hotel. Enquanto a mãe não sai do hotel e trabalha o dia todo, Oriah faz amizade com a recepcionista Amara (Chloé Sweetlove), que lhe mostra uma praia particular onde ela pode nadar.
Aqui Ry descobre que a praia não é apenas particular, é reservada para nudistas, tanto que seu maiô atrai a atenção de Julian (Lindez), um jovem e belo pescador local. A atenção é obviamente retribuída, e mesmo que a convivência comece entre um desentendimento na praia e um confronto na rua, fica claro desde o primeiro momento que os dois se gostam muito.
E, como diz Amara, “mesmo que uma história esteja destinada a durar pouco, não significa que não valha a pena”. Para vivê-la plenamente, porém, Ry decide guardar sua doença para si e não tomar mais os remédios que turvam sua mente. Confiando assim no destino e se ele serve os cuidados de saúde espanhóis.
Uma história de amor, mas também de status social: o que The Last Sunrise nos ensina
Os dois jovens protagonistas são maravilhosos, existe uma química notável entre eles, e claro que Longoria é sempre encantadora também. O cenário maiorquino é encantador e lançar este filme no final de agosto é um golpe no coração de quem já terminou as férias.
A trama quase sempre flui suavemente, apesar de alguma aceleração e apesar de algumas cenas em que não fica claro por que dois espanhóis falam um com o outro em inglês (talvez porque alguém do elenco não domine o catalão balear falado pelos outros membros do elenco?).
Porém, ao final do evento e também do filme, não poderíamos deixar de pensar no fato de que se Ry tem condições de tomar remédios e/ou fazer uma cirurgia é só porque ela é uma garota americana de uma família muito rica, e se algo der errado enquanto ela estiver de férias na Espanha ela sempre poderá contar com o sistema público de saúde tão desprezado pelos americanos.
Talvez este aspecto merecesse ser mais destacado pelo filme, mas evidentemente os compatriotas daquele James Van Der Beek forçado a trabalhar e vender mercadorias até à sua morte não gostam de ser lembrados de como a saúde nos EUA é um assunto para os muito ricos ou muito sortudos.
Então sim, O Último Nascer do Sol é um filme mais do que agradável para estes últimos resquícios de verão, mas a saúde para todos é certamente melhor.
Avaliação: 7,1
indefinido