O líder húngaro indicou como condição para a libertação dos fundos a reparação do oleoduto Druzhba danificado pelos ataques de drones russos e a garantia do fornecimento de petróleo a Budapeste
O presidente ucraniano Volodimir Zelensky apelou aos aliados europeus para garantirem a aprovação do empréstimo de 90 mil milhões de euros necessário para apoiar a defesa de Kiev contra a Rússia. Em entrevista ao “Politico”, Zelensky disse que o veto do primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán representa uma tentativa de facilitar a agressão do presidente russo Vladímir Putin. “Não é um assunto pessoal. Não é um conflito entre a Hungria e a Ucrânia. O conflito é entre a Europa e a Hungria”, declarou o líder ucraniano. Zelensky acusou Budapeste de bloquear o apoio europeu a Kiev e de manter laços estratégicos com Moscovo. Segundo o presidente ucraniano, a Hungria nunca forneceu apoio militar à Ucrânia desde o início da guerra. “Eles nunca nos ajudaram com apoio militar desde o início desta guerra. Disseram (…) claramente que não apoiariam a Ucrânia porque têm amigos verdadeiros na Rússia. E são amigos, parceiros estratégicos”, disse o chefe de Estado ucraniano durante a entrevista.
Orban indicou como condição para a libertação dos fundos, aprovados pelos líderes da UE em dezembro, a reparação do oleoduto Druzhba danificado pelos ataques de drones russos e a garantia de fornecimento de petróleo à Hungria. Entretanto, o governo de Budapeste enviou uma delegação governamental à Ucrânia para avaliar os danos causados às infra-estruturas, mas o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano Heorhii Tykhyi ontem disse que os participantes não tinham estatuto oficial e entraram no país “como turistas”. Ao mesmo tempo, a Hungria e a Eslováquia ameaçam bloquear a renovação das sanções da UE contra os oligarcas e empresas russas. Os diplomatas europeus pretendem chegar a um acordo antes do próximo Conselho Europeu, que se realizará em Bruxelas nos dias 19 e 20 de março. Bruxelas também precisará do consentimento húngaro para aprovar o vigésimo pacote de sanções contra Moscovo.