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Zelensky em Munique apela à unidade europeia: “Putin? Ele se sente como um czar, mas é um escravo da guerra”

“Quanto mais a guerra dura, mais recursos o agressor recebe e mais perigosa se torna a evolução das armas e da própria guerra”, disse o presidente ucraniano.

Do nosso correspondente em Munique – O presidente ucraniano Volodimir Zelensky proferiu um dos discursos mais incisivos do segundo dia da Conferência de Segurança de Munique, dedicando grande parte do seu discurso à situação no terreno, à evolução das ameaças russas e à centralidade da unidade euro-atlântica. Zelensky quis ilustrar a dureza da guerra com números e imagens concretas: “Quero que vocês entendam a real escala desses ataques… Em apenas um mês, em janeiro deste ano, tivemos que nos defender de 6 mil drones de ataque, principalmente Shaheeds, de mais de 150 mísseis russos de diferentes tipos e de mais de 5 mil bombas planadoras”. O apelo teve impacto visual – dados os gráficos mostrados durante o discurso do presidente – e direto: “É assim todos os meses. Imagine isto acima da sua cidade.

O presidente destacou como a tecnologia dos drones também está evoluindo, com dispositivos movidos a jato e orientação em tempo real, acrescentando que: “Quanto mais a guerra dura, mais recursos o agressor recebe e mais perigosa se torna a evolução das armas e da própria guerra”. Um dos pontos-chave do discurso foi o valor da unidade ocidental, um tema repetido com força: “A Rússia investe para quebrar a nossa unidade, a nossa unidade convosco, a unidade na Europa, a unidade na comunidade euro-atlântica… porque a nossa unidade é o melhor interceptador contra os planos agressivos da Rússia – o melhor – e ainda o temos.” Nesta passagem, Zelensky agradeceu aos países aliados – incluindo Dinamarca, Alemanha, Reino Unido, França, Países Baixos, Itália, Polónia, Estados Unidos, Canadá, Turquia e Japão – pelo seu apoio militar e político à Ucrânia.

No seu discurso, Zelensky não economizou em criticar os países que dificultam totalmente o apoio à Ucrânia: “Até um Viktor pode pensar em como fazer crescer a barriga, não em como fazer crescer o seu exército para impedir que os tanques russos saiam das ruas de Budapeste”, afirmou, fazendo uma referência clara contra o primeiro-ministro húngaro. Vitor Orbán. O chefe de Estado de Kiev também abordou o tema do Irão, ligando os repetidos fornecimentos de drones a Moscovo à ameaça à Ucrânia: “O regime iraniano já causou e ainda pode causar mais danos do que muitos outros regimes neste século… devem ser detidos imediatamente.”

O presidente ucraniano reiterou que a temporada de negociações deve envolver plenamente a Europa e os Estados Unidos: Zelensky expressou a esperança de que a Europa esteja “diretamente envolvida” nas conversações de paz na Ucrânia e não seja marginalizada, uma frase que muitos líderes europeus saudaram como um reconhecimento da centralidade europeia nas negociações. Zelensky também deixou claro que qualquer processo de paz terá de ser acompanhado por garantias de segurança claras partilhadas com os Estados Unidos e a União Europeia. Em oposição à pressão para uma votação antecipada, afirmou que: “A Ucrânia realizará eleições apenas dois meses após o cessar-fogo e apenas quando houver condições para garantir a liberdade e segurança a todos os eleitores”. No geral, o discurso de Zelensky combinou as realidades da guerra, apelos à coesão geopolítica e críticas àqueles que parecem estar a diminuir o apoio. Chamou repetidamente a atenção para a unidade como elemento indispensável e para o facto de uma Ucrânia forte defender não só a si mesma, mas toda a Europa.

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.