Durante uma conversa no domingo, 1º de março, com o líder da União Patriótica do Curdistão, Bafel Talabani, o presidente dos EUA supostamente ofereceu “ampla cobertura aérea dos EUA” a grupos curdos antigovernamentais
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trumpapelou aos líderes curdos no Iraque e aos grupos curdos no Irão para apoiarem uma revolta contra o governo de Teerão nas regiões ocidentais do país. O jornal “Washington Post” noticiou isso hoje, 5 de março, citando autoridades curdas e norte-americanas familiarizadas com o dossiê. Segundo a reconstrução do jornal, Trump teria discutido o assunto numa série de telefonemas esta semana com os líderes curdos da região autónoma do Curdistão iraquiano e com representantes da oposição curda iraniana. Durante uma conversa que teve lugar no domingo, 1 de março, com o líder da União Patriótica do Curdistão (PUK), Bafel Talabanio presidente dos EUA teria oferecido “ampla cobertura aérea dos EUA” e outras formas de apoio a grupos curdos antigovernamentais para lhes permitir assumir o controlo de partes do oeste do Irão.
“Trump foi claro no seu telefonema: ele disse que os curdos devem escolher um lado nesta batalha, seja com os Estados Unidos e Israel ou com o Irão”, disse um alto funcionário do PUK citado pelo jornal. Segundo a mesma fonte, Washington pediu às autoridades curdas iraquianas que não dificultassem a mobilização dos grupos curdos iranianos presentes no Iraque e que fornecessem apoio logístico. Uma fonte do Partido Democrático do Curdistão (KDP), a outra principal força política na região autónoma liderada por Masoud Barzaniconfirmou o conteúdo dos contactos, sublinhando, no entanto, que a possível operação dependeria sobretudo do nível de apoio interno ao Irão. Segundo o “Washington Post”, Trump também conversou na terça-feira, 3 de março, com Mustafa Hijri, líder do Partido Democrático do Curdistão Iraniano (PDKI), o mais antigo grupo de oposição curda no Irã. O PDKI faz parte de uma coligação de seis partidos curdos antigovernamentais que anunciou na semana passada a criação de uma frente comum, a Coligação de Forças Políticas do Curdistão Iraniano.
Num comunicado divulgado ontem, 4 de março, o PDKI apelou aos militares iranianos, “particularmente no Curdistão”, para abandonarem as suas bases e retirarem o apoio às “forças armadas e repressivas do regime”. A Casa Branca confirmou que Trump conversou com líderes curdos, mas negou que tenha sido aprovado um plano para armar grupos curdos iranianos. A porta-voz presidencial Karoline Leavitt disse aos repórteres que o presidente “conversou com os líderes curdos em relação à nossa base no norte do Iraque”, acrescentando que “quaisquer relatos de que o presidente tenha aprovado tal plano são falsos”. Segundo a análise do jornal norte-americano, o envolvimento dos Curdos representa riscos significativos para a estabilidade da região. Os curdos iranianos, cerca de 10 milhões de pessoas distribuídas por cinco províncias ocidentais do Irão, representam uma das principais minorias do país e têm historicamente reivindicado acima de todas as formas de autonomia regional.
Especialistas citados pelo jornal salientam, no entanto, que as formações curdas iranianas têm capacidades militares limitadas e é improvável que obtenham apoio generalizado em áreas não curdas do Irão. Além disso, qualquer apoio dos EUA poderia expor as regiões curdas do Iraque à retaliação do Irão ou das milícias aliadas de Teerão. A liderança curda iraquiana, que tem procurado manter relações relativamente estáveis com Teerão nos últimos anos, já declarou que não quer permitir que o seu território seja utilizado como base para operações militares contra países vizinhos. Neste cenário, vários líderes curdos sublinharam a necessidade de favorecer soluções diplomáticas para evitar uma nova escalada do conflito na região.