As medidas em discussão incluem também o reforço da produção militar, o desenvolvimento de novas tecnologias e, em alguns casos, o regresso ao serviço militar obrigatório.
Os países europeus estão a reforçar um plano informal para garantir a defesa do continente em caso de retirada dos EUA, também à luz das crescentes críticas dirigidas aos aliados da NATO pelo presidente Donald Trump. Isto foi relatado por fontes informadas citadas pelo jornal norte-americano “Wall Street Journal”. O projecto, definido por alguns responsáveis como uma “NATO Europeia”, visa transferir progressivamente para os europeus funções-chave de comando, logística e inteligência actualmente dominadas por Washington, preservando ao mesmo tempo a dissuasão em relação à Rússia e a continuidade operacional da aliança. Um ponto de viragem ocorreu nos últimos meses na Alemanha: a chanceler Friedrich Merz abandonou a prudência tradicional de Berlim, historicamente oposta à autonomia militar europeia, abrindo-se a uma maior responsabilidade pelo continente na sua própria segurança. O avanço recebeu a aprovação de outros países, incluindo a França, o Reino Unido, a Polónia e os estados nórdicos.
O plano não visa substituir a NATO, mas sim fortalecê-la de uma forma mais europeia, também em resposta às ameaças de Trump de reduzir o compromisso dos EUA ou de abandonar a aliança. O secretário geral Marcos Rute falou de uma estrutura “mais liderada por europeus”. Os desafios continuam a ser relevantes: toda a arquitectura da NATO depende dos EUA, desde o comando militar supremo até às capacidades estratégicas, incluindo a dissuasão nuclear. Os europeus estão, portanto, a avaliar como assumir funções cruciais, desde a defesa aérea até à logística e aos corredores de reforço para o Leste. As medidas em discussão incluem também o reforço da produção militar, o desenvolvimento de novas tecnologias e, em alguns casos, o regresso ao serviço militar obrigatório. O presidente finlandês Alexandre Stubb sublinhou a necessidade de uma transição “gradual e controlada” para uma maior autonomia europeia. Apesar da aceleração, os analistas destacam que a Europa continua dependente dos Estados Unidos para capacidades essenciais, tornando a autonomia total complexa no curto prazo.