Com as defesas aéreas iranianas enfraquecidas, a coligação mantém aeronaves de vigilância nos locais e intervém assim que detecta movimento, destruindo os lançadores à medida que emergem à superfície
Durante anos, o Irão investiu enormes recursos na construção de vastos complexos subterrâneos para proteger o seu arsenal de mísseis. Menos de uma semana após o início da guerra contra os Estados Unidos e Israel, esta estratégia parece ter-se revelado uma vulnerabilidade militar significativa da República Islâmica, segundo uma longa análise publicada pelo jornal “Wall Street Journal”. Aviões e drones dos EUA e de Israel sobrevoam os locais conhecidos e atingem os lançadores à medida que estes emergem dos túneis. Em outros casos, bombardeios pesados tiveram como alvo as entradas, com o objetivo de bloquear as armas no subsolo. Imagens de satélite divulgadas após o início do conflito no fim de semana passado mostram lançadores destruídos perto das entradas das chamadas “cidades de mísseis”. Desde o início do conflito, o Irão lançou mais de 500 mísseis contra Israel, bases dos EUA e alvos no Golfo Pérsico, mas muitos foram interceptados. Nos últimos dias, as salvas diminuíram: o Comando Central dos EUA reporta uma queda de 86% nos lançamentos de mísseis iranianos em apenas quatro dias.
Segundo analistas ouvidos pelo “Wall Street Journal”, grande parte dos milhares de mísseis de curto e médio alcance à disposição do Irão ainda estão escondidos em bunkers subterrâneos cujas localizações são amplamente conhecidas por Washington e Jerusalém. Com as defesas aéreas iranianas enfraquecidas, a coligação mantém aeronaves de vigilância nos locais e intervém assim que detecta movimento, destruindo os lançadores à medida que emergem à superfície. Várias bases, incluindo as das zonas de Shiraz, Isfahan, Kermanshah e Tabriz, foram afectadas. Em alguns casos, as entradas dos túneis parecem danificadas ou bloqueadas, embora não esteja claro se desabaram.
O Irão continua a empregar drones e lançamentos esporádicos de mísseis e pode reservar os lançadores mais poderosos como último recurso no caso de um conflito prolongado. Teerã afirma que pode substituir rapidamente os mísseis destruídos, mas a perda dos lançadores reduz a capacidade operacional. Segundo o “Wall Street Journal”, o limite estrutural do sistema de mísseis iraniano é evidente: bases fixas que podem ser identificadas do espaço são mais fáceis de neutralizar do que plataformas móveis. Atingir a infraestrutura de superfície permite enfraquecer a eficácia dos locais, mesmo sem destruir completamente as estruturas subterrâneas.