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Ucrânia, Zelensky: “Com coordenação Meloni sobre o Irão, energia e empréstimo de 90 mil milhões da UE”

os dois líderes também trocaram informações sobre contactos com países actualmente sob ataque iraniano e sublinharam a necessidade de uma coordenação mais estreita na Europa sobre a situação geral

O presidente ucraniano Volodimir Zelensky declarou que havia discutido com o primeiro-ministro, Giorgia Melonia situação relacionada com o Irão e os desafios nos mercados do petróleo e dos combustíveis causados ​​pelas ações de Teerão. Numa mensagem publicada nas redes sociais, Zelensky informou que os dois líderes também trocaram informações sobre contactos com países atualmente sob ataque iraniano e sublinharam a necessidade de uma coordenação mais estreita na Europa sobre a situação geral.

A conversa abordou também o tema do empréstimo de 90 mil milhões de euros destinado à Ucrânia, fundos que deverão reforçar a resiliência do país na defesa contra a agressão russa e que são garantidos por activos russos congelados. Zelensky informou ainda que a situação relativa aos Jogos Paraolímpicos foi discutida com Meloni e agradeceu ao governo italiano pela posição compartilhada sobre o assunto. Por último, o presidente ucraniano manifestou a sua gratidão pela assistência prestada pela Itália, em particular pelo apoio energético durante o inverno e pela decisão de continuar a assistência militar a Kiev também este ano.

Anteriormente, Zelensky disse durante um briefing que a Ucrânia poderia receber “discretamente” mísseis Patriot Pac-3 de países do Médio Oriente e fornecer em troca os seus próprios drones interceptadores. “Gostaríamos de receber discretamente mísseis Pac-3 de países do Médio Oriente e transferir-lhes drones para intercepção”, disse o chefe de Estado. Zelensky observou que os países da região usaram cerca de 800 mísseis Pac-3 em três dias, um número que a Ucrânia nunca lançou durante toda a guerra com a Rússia. Os mísseis Patriot Advanced Capability-3 representam a última geração de interceptadores projetados para destruir mísseis balísticos táticos e outros alvos usando a tecnologia “hit-to-kill”, que neutraliza o alvo através do impacto cinético. A questão dos arsenais de mísseis Patriot voltou ao foco após os ataques de mísseis russos e a intensificação do uso de sistemas de defesa aérea no Médio Oriente para interceptar mísseis balísticos iranianos.

O presidente ucraniano declarou que não considera apropriado restaurar o oleoduto Druzhba, danificado nos últimos dias. “Para ser honesto, eu não restauraria isso. Essa é a minha posição”, disse Zelensky, explicando que já havia expressado a mesma opinião aos líderes europeus e aos representantes da UE. O chefe de Estado enfatizou que a infraestrutura transporta “petróleo russo” e que, na sua opinião, existem princípios que não devem ser comprometidos enquanto a Rússia continua a guerra contra a Ucrânia. Zelensky disse ainda que a UE sinalizaria o possível bloqueio de um empréstimo de 90 mil milhões de euros se Kiev não iniciar a reabilitação do gasoduto, acrescentando que aguardava um pedido oficial nesse sentido.

Zelensky disse que o gasoduto Druzhba, que foi severamente danificado no final de janeiro, poderá voltar a operar dentro de um mês e meio. “Podemos comunicar que durante este mês e meio a restauração é possível… Mas isso não significa que o que foi destruído será restaurado, e algumas coisas podem ser feitas em paralelo”, disse. Zelensky expressou preocupação com o facto de a assistência financeira da União Europeia à Ucrânia poder depender da restauração do Druzhba para transportar petróleo russo para a Hungria e a Eslováquia. “Vamos preparar tudo e depois a decisão caberá a eles”, acrescentou. O presidente do Conselho de Administração da Naftogaz (operador de gás ucraniano), Serhiy Koretsky, confirmou que o objectivo é restaurar a capacidade tecnológica da infra-estrutura no prazo de um mês e meio, enquanto estão a ser preparadas estimativas de projectos para a restauração completa e construção de infra-estruturas alternativas, incluindo tanques subterrâneos do tipo casamata de acordo com os padrões da NATO. Koretsky sublinhou ainda que não faz sentido reconstruir a principal estação de bombagem em Brody, região de Lviv, pois um novo ataque russo poderia causar mais danos.

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.