Entre as principais inovações está o reconhecimento da cidadania tunisina para quem nasceu no país de pais apátridas e residentes há pelo menos dez anos, bem como para quem nasceu de pais desconhecidos.
A Assembleia dos Representantes do Povo (Arp) enviou à Comissão dos Direitos e Liberdades um projeto de lei que visa alterar e integrar algumas disposições do Código da Nacionalidade Tunisino. O texto, apresentado por 36 deputados, abre caminho para uma revisão significativa das regras sobre cidadania e naturalização. A proposta está dividida em dois artigos. A primeira prevê a revogação dos artigos 8º, 9º, 10º e 20º do atual Código, substituídos por novos dispositivos. Entre as principais inovações está o reconhecimento da cidadania tunisina para os nascidos no país de pais apátridas residentes há pelo menos dez anos, bem como para os nascidos de pais desconhecidos, a menos que a filiação seja posteriormente verificada. Além disso, um recém-nascido encontrado em território nacional será considerado nascido na Tunísia até prova em contrário. O mesmo artigo introduz critérios mais rigorosos para a naturalização: a cidadania só poderá ser concedida ao estrangeiro se ele tiver entrado legalmente e residido continuamente por pelo menos sete anos antes do pedido, ressalvadas algumas exceções previstas na legislação vigente.
O segundo artigo intervém nos artigos 21 e 38 bis do Código, acrescentando um novo ponto. Em particular, o artigo 21.º prevê a possibilidade de concessão da cidadania a estrangeiros cuja naturalização represente um benefício excepcional para o país, na presença de competências de alto nível nos sectores científico, tecnológico, artístico, cultural, desportivo ou económico, ou no caso de raro profissionalismo ou contribuições significativas para o crescimento e o emprego. Os métodos serão definidos por decreto. No que diz respeito ao artigo 38 bis, a proposta regula a perda da cidadania adquirida se for demonstrada a descendência do interessado ou a entrada irregular na Tunísia dos pais ou de um deles. No documento ilustrativo, os promotores sublinham a necessidade de uma atualização legislativa para atrair talentos e competências de alto nível, introduzindo formas de “naturalização económica” e ferramentas para valorizar perfis de excelência. Segundo os deputados signatários, a Tunísia deve adaptar-se às mudanças no contexto regional e internacional, evitando ao mesmo tempo possíveis repercussões negativas associadas a fenómenos sistémicos emergentes. A concessão da cidadania, concluem, continua a ser uma prerrogativa soberana do Estado.