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Trump gritou por horas após o abate do combatente dos EUA no Irã, assessores forçados a retirá-lo da sala de operações

Como relata o Wall Street Journal, ele estaria obcecado pelo paralelo com a crise dos reféns enfrentada pelo presidente Jimmy Carter em 1979.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passou horas gritando com seus assessores na sexta-feira, 3 de abril, depois de saber que um avião militar havia sido abatido no Irã com dois aviadores desaparecidos, assombrado pelos paralelos com a crise de reféns enfrentada pelo presidente Jimmy Carter de 1979. Isto foi revelado pelo “Wall Street Journal” numa longa história de fundo sobre a gestão da guerra com o Irão pela Casa Branca.

Os assessores o mantiveram deliberadamente fora da sala de operações para evitar que sua impaciência prejudicasse a operação de resgate, atualizando-o apenas em momentos cruciais. Um aviador foi rapidamente recuperado; o segundo foi resgatado apenas no final da noite de sábado, 4 de abril, evitando o que poderia ter sido o ponto mais baixo da presidência de Trump.

Seis horas depois, na manhã de Páscoa, Trump publicou uma publicação nas redes sociais em que ordenava ao Irão que reabrisse o Estreito de Ormuz com uma mensagem salpicada de insultos e concluída com uma oração islâmica: uma medida, explicou mais tarde aos seus colaboradores, concebida para parecer tão instável e ofensiva quanto possível aos olhos de Teerão. Quando um conselheiro lhe perguntou sobre o cargo, Trump disse que ele mesmo teve a ideia e queria usar uma linguagem que “os iranianos entendessem”. Porém, ele ficou preocupado com as reações: “Como vai?” ele perguntou a seus colaboradores. A história de fundo do Wall Street Journal retrata um presidente oscilando entre impulsos beligerantes e conciliatórios, capaz de gestos ousados ​​e improvisados ​​sem consultar a sua equipa de segurança nacional.

Trump apostou que conseguiria resolver com o poder aéreo e naval dos EUA um problema que tirou o sono a sete dos seus antecessores, convencido após uma reunião informativa do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, em Fevereiro, e pelas garantias do senador republicano Lindsey Graham. O exemplo da Venezuela – onde os Estados Unidos capturaram o presidente em poucas horas e instalaram um sucessor mais complacente – tornou-o excessivamente optimista. Mas o Irão provou ser um adversário muito mais difícil. Trump previu que o regime cederia antes de fechar o estreito e que, mesmo que isso não acontecesse, os militares dos EUA poderiam reabri-lo. Mais tarde, ele comentaria irritado sobre a vulnerabilidade da hidrovia: “Um cara com um drone pode fechá-la”, diria.

O presidente, segundo o jornal norte-americano, também resistiu à pressão para enviar soldados para conquistar a ilha de Kharg, ponto de partida para 90 por cento das exportações de petróleo do Irão, temendo um número inaceitável de baixas norte-americanas. Daí os ultimatos improvisados, sem consultar a equipa de segurança nacional. Na frente diplomática, o jornal revela que já no final de março — cerca de uma semana antes de os iranianos terem abatido o avião — Trump tinha ordenado à sua equipa de negociação que encontrasse uma forma de iniciar conversações com Teerão. Após a ameaça à civilização iraniana, a Casa Branca contactou os seus colegas paquistaneses para mediar um cessar-fogo: Trump estava demasiado indisposto para com os europeus para confiar neles. Os países da NATO recusaram-se a aderir à campanha e a ajudar a forçar a abertura do estreito, para grande irritação do presidente dos EUA.

O “Wall Street Journal” também descreve os momentos de distração do presidente em meio à crise: Trump realizou reuniões sobre planos para um salão de baile no porão da Casa Branca, esteve envolvido na arrecadação de fundos para as eleições de meio de mandato – ele estava em um jantar de gala em Mar-a-Lago algumas horas depois do início da guerra – e durante uma recepção na Casa Branca ele brincou sobre a ideia de se conceder a Medalha de Honra, a mais alta honraria militar dos EUA, dizendo que a merecia por um assustador desembarque sombrio no Iraque durante seu primeiro mandato.

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.