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Trípoli retira a nota sobre a recusa da entrega de Al Masri, o nó com o tribunal da época permanece

O oficial da Líbia é acusado de doze crimes graves, incluindo assassinato, estupro e tortura, durante sua tarefa como diretor do Departamento de Segurança e Operações do sistema penitenciário da Líbia

O Ministério da Justiça do Governo da Unidade Nacional (GNA) removeu um comunicado de imprensa publicado ontem em sua página no Facebook, na qual a recusa formal a entregar foi declarada Osama Najim Al Masriex -chefe alto do dispositivo de segurança prisional da Líbia, ao Tribunal Penal Internacional (CPI).

O oficial da Líbia é acusado de doze crimes graves, incluindo assassinato, estupro e tortura, durante sua missão como diretor do Departamento de Segurança e Operações do sistema penitenciário da Líbia. A declaração – removida algumas horas após a publicação – afirmou que o ministério havia aceitado o pedido do promotor -geral da Líbia para revogar as medidas restritivas contra Al Masri, e que este já havia respondido ao convite para comparecer à frente do Judiciário Nacional em 24 de abril. De acordo com o comunicado de imprensa cancelado, o Tribunal Penal Internacional ainda não teria fornecido à Líbia Judiciária qualquer prova concreta em apoio às acusações contra o oficial e, portanto, lemos – não haveria condições para qualquer extradição. O documento também lembrou que a Líbia não faz parte do estatuto de Roma, o estabelecimento do Tratado da CPI e que “nenhum cidadão líbio será entregue a uma jurisdição estrangeira”.

O que foi declarado na declaração remota parece estar em contradição com o que foi declarado pelo próprio tribunal criminal internacional. Em 15 de maio, de fato, o promotor da CPI Karim Khan Ele alegou ter recebido comunicação formal do governo Trípoli, com o qual a Líbia aceitou a jurisdição do tribunal pelos crimes cometidos no país entre 2011 e o final de 2027, com base no artigo 12 (3) do estatuto de Roma. Esta disposição permite que um estado não faça parte do estatuto reconheça, em uma base de caso, a jurisdição do tribunal. A investigação sobre a Líbia pelo CPI está ativa desde março de 2011, após o encaminhamento do dossiê da Líbia ao Conselho de Segurança da ONU com a resolução de 1970. De acordo com o que “Al Wasat” relatou, Najim estaria sob investigação por pelo menos 12 acusações, incluindo assassinatos, tortura e violência sexual.

A retirada do comunicado à imprensa pode ser interpretada como um sinal de forte tensão interna ao governo da unidade nacional entre aqueles que desejam cooperar com a CPI e aqueles que, por outro lado, insistem na competência exclusiva da justiça da Líbia. O fato de o comunicado à imprensa ter sido publicado e depois cancelado rapidamente indica claramente um desacordo político na administração do dossiê de Najim, que também pode ter repercussões nas relações da Líbia com a comunidade internacional. Resta ver se Trípoli honrará o compromisso assumido com o Tribunal Penal Internacional em maio passado, ou se uma linha mais soberana prevalecerá que exclua a colaboração com jurisdições externas.

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.