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Trégua entre Washington e Teerã, ataques iranianos relatados nos Emirados e no Kuwait

Os episódios confirmam o nível ainda elevado da ameaça

A trégua de duas semanas entre os Estados Unidos e o Irão continua previsivelmente frágil, com novos ataques relatados no Golfo poucas horas depois do anúncio do acordo. Segundo o Estado-Maior do Kuwait, as defesas aéreas enfrentam “desde as 8 horas de hoje e até agora” uma intensa onda de ataques iranianos, durante os quais foram interceptados 28 drones dirigidos contra o país. Alguns veículos aéreos não tripulados visaram infra-estruturas energéticas estratégicas no sul, incluindo instalações petrolíferas, centrais eléctricas e centrais de dessalinização, resultando em danos materiais significativos em locais de energia e infra-estruturas críticas. Ao mesmo tempo, nos Emirados Árabes Unidos as defesas aéreas estão “activamente empenhadas” na intercepção de mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e drones provenientes do Irão, enquanto o Ministério da Defesa especificou que os ruídos altos ouvidos em várias áreas do país são devidos a operações de envolvimento em curso. Os episódios confirmam o nível ainda elevado da ameaça, apesar do cessar-fogo anunciado entre Washington e Teerão.

A nível político, os principais intervenientes regionais saudaram o acordo, embora com tons cautelosos. O Catar definiu a trégua como “um primeiro passo para a desescalada”, sublinhando a necessidade de o Irão cessar “imediatamente” as atividades hostis e garantir a segurança das rotas marítimas. A Arábia Saudita expressou apreço pelos esforços de mediação do Paquistão, enquanto Omã alertou que “agora são necessárias negociações sérias” para evitar uma nova escalada. A Turquia também reiterou que “a paz duradoura só pode ser alcançada através do diálogo e da diplomacia”.

Ao mesmo tempo, a frente militar no Líbano permanece aberta. Israel esclareceu que a trégua não diz respeito à Terra dos Cedros, onde prosseguem as operações contra o movimento xiita Hezbollah, negando a hipótese de uma extensão do cessar-fogo à frente norte. A nível negocial, Teerão e Washington preparam-se para um confronto direto em Islamabad, com o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, designado como negociador-chefe e o vice-presidente dos EUA, James David Vance, a liderar a delegação norte-americana. Entretanto, o impacto económico da trégua é imediato. Os preços do petróleo e do gás estão a cair acentuadamente, com o petróleo bruto a cair abaixo dos 100 dólares por barril e o gás europeu a cair mais de 17 por cento, enquanto os mercados bolsistas asiáticos registam aumentos significativos. A recuperação reflete as expectativas de uma reabertura estável do Estreito de Ormuz, um centro através do qual transita cerca de um quinto do petróleo mundial. No entanto, a incerteza sobre o futuro do acordo permanece elevada. Segundo relatos, o acordo poderia incluir a possibilidade de o Irão e Omã introduzirem portagens no trânsito através do estreito, marcando uma potencial ruptura com o princípio da livre navegação internacional.

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.