O drama que abalou Lisboa continua a crescer em proporções. O descarrilamento do funicular da Glóriaque ocorreu na tarde de quarta-feira no coração de Lisboa, causou até agora, segundo as últimas atualizações 17 mortos e 21 feridos. A confirmação vem do diretor do serviço municipal de proteção civil de Lisboa, Margarida Castro Martinsque anunciou os novos dados em conferência de imprensa.
O funicular acabava de começar a funcionar quando, segundo contaram as testemunhas a bordo, ouviu-se um forte estrondo e os carros ficaram fora de controle. O carro abaixo retornou ao ponto de partida, batendo nas anteparas de concreto localizadas a jusante. A cabine número 1, aquela que descia ladeira abaixo, iniciou uma louca corrida descendente, completamente fora de controle, até que descarrilou e bateu violentamente contra a parede de um prédio, desabando.
O funicular descarrila em Lisboa: notícias oficiais das autoridades
Segundo as autoridades, duas das pessoas gravemente feridas não sobreviveram e morreram no hospital, aumentando ainda mais o número trágico. A Protecção Civil especificou que entre os 16 vítimas fatais não há crianças. No momento do acidente o funicular transportava uma carga total 38 pessoas. Questionado pelos jornalistas, Castro Martins disse ainda não ter informações definitivas sobre o nacionalidade das vítimassublinhando que estes dados serão divulgados pelo Ministério Público nas próximas horas.
Proteção Civil corrige número de mortos
A Protecção Civil de Lisboa corrigiu o número de vítimas do descarrilamento do funicular em Lisboaque vai de 17 a 16. Numa nota oficial, Margarida Castro Martins explicou que o erro comunicado esta manhã se deveu a uma duplicação de dados relativos a óbitos hospitalares. “Apenas uma pessoa morreu esta noite no hospital de São José, elevando o número global de vítimas para 16 e não para 17”, esclareceu o diretor do Serviço Municipal de Proteção Civil.
A PJ anunciou em conferência de imprensa que mais cinco vítimas deverão ser identificadas graças a documentos encontrados no local. Estes seriam cidadãos estrangeiros falecidos: um alemão, dois canadenses, um ucraniano e um norte-americano. As autoridades já tinham identificado 8 das 16 vítimas: 5 portugueses, 2 sul-coreanos e 1 suíço. As últimas três vítimas ainda não foram identificadas.
Entre o 21 feridos emergem pelo menos dez nacionalidades diferentes. É sobre 12 mulheres e 7 homenscom quatro pessoas cujas nacionalidades ainda não foram identificadas.
Lesões confirmadas incluem:
O investigador italiano ferido no acidente do funicular: “Vi os corpos a serem retirados”
O único Cidadão italiano envolvido no trágico descarrilamento do funicular de Lisboa é o investigador de L’Aquila Stefania Lepidi. Ela ficou ferida no acidente do funicular de Lisboa com uma fratura luxada no braço. Ela mesma contou, por telefone, ao presidente do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia, Fabio Florindo. Ela disse que ficou em choque com a experiência dramática que viveu, descrevendo ter se encontrado no chão, deitada em sangue, ao ver equipes de resgate extraindo os corpos. Ela disse que estava sentada na cabine inferior. Ela estava a bordo com seu filho Francesco, de 25 anos, que lhe prestou os primeiros socorros. A mulher, que se encontra na capital portuguesa para uma conferência científica, regressará a Itália conforme previsto. A Embaixada de Itália em Lisboa está a acompanhar o caso atentamente, em contacto constante com as autoridades portuguesas e com a Unidade de Crise da Farnesina.
Investigações ao descarrilamento do funicular em Lisboa
As causas de descarrilamento do Elevador (Funicular) da Glória em Lisboa continuam a ser investigados pela Polícia Judiciária. Equipes especializadas trabalharam no local durante horas, concluindo as operações de segurança por volta das 3h. A inspeção diária realizada pela empresa de manutenção na manhã do acidente confirmou a segurança do sistema. A inspeção visual, que terminou pouco antes das 10h, deu autorização para que o funicular funcionasse normalmente. Contudo, a inspeção analítica também identificou a necessidade de substituição de um cabo no prazo de 263 dias. O mesmo cabo cuja ruptura se acredita ser a causa direta do desastre.
Uma simulação 3D criada pelo SIC mostra como será o corredor ou declive do Elevador da Glória.
Junto comigo a cada minuto eu te conheço https://t.co/GWdeicd7Qe pic.twitter.com/UggO9dVl5j
— SIC Notícias (@SICNoticias) 4 de setembro de 2025
O trânsito na Avenida da Liberdade e arredores foi reaberto, embora permaneçam em vigor algumas restrições na zona exacta do acidente.
Declarações do Presidente da Câmara Carlos Moedas e do Primeiro-Ministro Luís Montenegro
Falando em conjunto com o Primeiro-Ministro, o Presidente da Câmara de Lisboa Carlos Moedas ele chamou isso de “dia de luto” para a capital. Ele agradeceu Primeiro Ministro Luís Montenegro e ao governo para apoio imediato. “Estou aqui para reportar a situação ao governo, dada a sua dimensão, e para pedir uma intervenção rápida. Precisamos da ajuda de todos. Não há palavras para descrever tamanha dor”, declarou Moedas.
O prefeito garantiu que a empresa responsável peloElevador da Glória dará total apoio às famílias das vítimas e anunciou o fechamento de todos os funiculares da cidade até que as inspeções em andamento sejam concluídas. Além disso, pediu à Carris uma investigação interna e uma investigação externa independente “para apurar todas as responsabilidades”, reiterando que neste momento “qualquer outra afirmação seria pura especulação”.
Moedas convocou ainda uma reunião extraordinária da Câmara Municipal para segunda-feira, tendo o incidente como único ponto da ordem do dia. Agradeceu aos presidentes da área metropolitana e aos chefes de governo de toda a Europa pelas suas mensagens de solidariedade. Concluiu que “este é o momento de respeitar as vítimas e as suas famílias e de cuidar dos feridos. Estarei sempre ao lado dos lisboetas nos bons e nos maus momentos”.
A comunidade italiana acompanha as atualizações com apreensão
A notícia da presença de um cidadão italiano entre os feridos teve um forte impacto na comunidade italiana residente em Portugal, muito ligada a Lisboa e aos seus símbolos históricos. A Embaixada Italiana manifestou a sua proximidade ao seu compatriota e às famílias de todas as vítimas, reiterando o seu compromisso de prestar assistência.