O chefe de estado cazaque disse que apoia a ênfase do presidente dos EUA nas políticas de “senso comum” e no fortalecimento da lei e da ordem
O Presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, elogiou as políticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apoiando a necessidade de uma abordagem pragmática à dinâmica internacional. Fê-lo numa entrevista ao jornal paquistanês “The News International”, publicada hoje, 5 de fevereiro.
Tokayev, que visitou ontem Islamabad, definiu Trump como “um líder forte e clarividente que coloca os interesses nacionais em primeiro lugar”, sublinhando que esta abordagem se reflete nos resultados da economia dos EUA e nas reformas em curso, particularmente na esfera social. O chefe de Estado cazaque afirmou ainda que apoia a ênfase do presidente norte-americano em políticas baseadas no “senso comum” e no fortalecimento da lei e da ordem, destacando que Astana também segue uma linha semelhante para enfrentar o complexo contexto global.
Durante a entrevista, Tokayev reiterou a importância da parceria estratégica com o Paquistão, definido como um país amigo com o qual o Cazaquistão mantém relações diplomáticas desde 1992. O presidente lembrou que durante a sua visita de Estado a Islamabad, foram assinados mais de 60 acordos bilaterais, destinados a reforçar a cooperação em sectores como transportes, logística, agricultura, indústria, saúde e educação, com o objectivo de aumentar significativamente as trocas comerciais.
O líder cazaque indicou ainda a conectividade regional como um pilar da cooperação bilateral, sublinhando a disponibilidade do seu país em participar no desenvolvimento do corredor Cazaquistão-Turquemenistão-Afeganistão-Paquistão, considerado estratégico para o acesso aos mercados do Sul da Ásia. Tokayev confirmou então o apoio do Cazaquistão aos Acordos de Abraham, promovidos por Trump, definindo-os como uma iniciativa que visa a estabilidade regional e global. O presidente disse que aderir à iniciativa ajudará a atrair investimentos e tecnologias avançadas, ao mesmo tempo que reiterou o apoio de Astana à solução de dois Estados para o conflito israelo-palestiniano. Sobre o conflito entre a Rússia e a Ucrânia, Tokayev sublinhou que a crise continua a ser extremamente complexa e de natureza territorial, reiterando que a solução deve ser exclusivamente política e diplomática. Embora exclua um papel de mediação direta, o Cazaquistão disse que estava disposto a oferecer os seus bons ofícios e uma plataforma neutra para quaisquer negociações.
Quando questionado sobre possíveis cenários relacionados com a Gronelândia, o presidente cazaque sugeriu um possível acordo de arrendamento de longo prazo entre os Estados Unidos e a Dinamarca como uma opção pragmática, a ser avaliada em conformidade com o direito internacional e a soberania do Estado. Tokayev também ilustrou as reformas políticas em curso no país, destacando a transição de um sistema superpresidencialista para uma república presidencialista com maior equilíbrio de poder. Entre as mudanças discutidas estão a criação de um parlamento unicameral, a criação de um Conselho Nacional e a introdução da figura do vice-presidente. Por último, o presidente reiterou que o Cazaquistão pretende construir uma economia diversificada e tecnologicamente avançada, fortalecendo o papel do país como centro de trânsito da Eurásia e promovendo a modernização do sector energético com o envolvimento de investidores internacionais.