Uma coluna italiana da Força de Intermediação das Nações Unidas no Líbano “que trazia elementos para Beirute para repatriação foi bloqueada” pelas Forças de Defesa de Israel
Ao embaixador de Israel na Itália, Jonathan Peledconvocado esta noite à Farnesina, foi reiterado que no Líbano “os soldados italianos não se tocam”. O Ministro das Relações Exteriores disse isso, Antonio Tajaniem “Cinco minutos” na Rai1. “Dissemos esta noite ao embaixador que foi convocado para a Farnesina, dissemo-lo publicamente, dissemo-lo também às Nações Unidas, que tem a missão de garantir a segurança de todos os departamentos da Unifil, porque não são apenas italianos”, sublinhou Tajani. “Agora precisamos trabalhar para construir a paz”, disse ele. “Amanhã haverá uma reunião do G7 também com representantes dos países do Golfo. Amanhã à tarde estarei também na reunião dos países mediterrânicos da União Europeia e tentaremos alargar a discussão também com os países do Norte de África, para garantir que possa ser criada uma zona de estabilidade global no Médio Oriente-Mediterrâneo. Não é fácil, mas este é o compromisso prioritário”, sublinhou Tajani.
A situação no Médio Oriente é complicada e “a trégua é muito frágil, mas precisa de ser reforçada”, disse o ministro. “Israel cometeu um erro ao atacar o Líbano, até porque o contingente italiano da Unifil também esteve envolvido no ataque”, disse Tajani, reiterando que “um tiro atingiu um veículo militar do nosso país, portanto isto é inaceitável”. “Por isso convoquei imediatamente o embaixador israelita para protestar porque as unidades da Unifil devem ser mantidas fora” do conflito, sublinhou o ministro. Israel “não deve pôr em causa” o cessar-fogo que “é fundamental para a estabilidade da zona, para a circulação dos petroleiros em Ormuz e para a redução dos ataques também contra os países do Golfo”, destacou Tajani, segundo quem “isto é fundamental”.
A necessidade de abrir o Estreito de Ormuz “não é apenas uma questão de petróleo, mas também de fertilizantes”, que são fundamentais tanto para a agricultura italiana como para a dos países africanos. Por isso, sublinhou Tajani, a falta de fertilizantes “significa criar uma enorme crise em África, por exemplo no Sudão, e aumentar a imigração irregular”. “Todos nós, mesmo com a força de uma Europa unida nesta fase, devemos pressionar os Estados Unidos e o Irão a encontrar um acordo que deve certamente prever a não utilização e a não construção da bomba atómica pelo Irão, porque esta é a chave que cria preocupação”, reiterou o ministro.
A Europa “está unida e a Itália é firmemente pró-europeia e trabalha em conjunto com a União Europeia para fortalecer a trégua e, portanto, trazer a paz ao Médio Oriente”, disse Tajani. “A Itália sempre trabalhou para manter forte o acordo dentro do Ocidente, entre a Europa e os Estados Unidos. Apesar de ter tido posições firmes em relação aos americanos, estou a pensar no caso da Gronelândia, estou a pensar na questão da guerra no Irão, (a Itália) sempre manteve o diálogo aberto com Washington. Acredito que isso coloca a Itália em condições de ser útil também para toda a Europa, incluindo o assunto tarifário”, sublinhou.
Período de perguntas na Câmara
Uma coluna italiana da Força de Intermediação das Nações Unidas no Líbano (Unifil) “que trazia elementos para Beirute para repatriamento foi bloqueada” pelas Forças de Defesa Israelenses (IDF), anunciou anteriormente o ministro durante o período de perguntas na Câmara dos Deputados. “Os tiros de alerta israelenses danificaram um dos nossos veículos. Felizmente ninguém ficou ferido, mas a coluna teve que retornar”, explicou Tajani. Esta tarde, houve de facto o mais violento bombardeamento israelita desde o reinício da guerra (as IDF falam de 150 aviões utilizados) em todo o Líbano. Em particular, em Beirute, Sidon e Tiro, houve dezenas de vítimas civis. Tajani acrescentou ainda que pedirá “informações imediatas” ao embaixador israelita em Roma, convocado às 19h30 na Farnesina. “Os soldados italianos no Líbano não se tocam”, sublinhou o ministro, acrescentando que as FDI “não têm autoridade” sobre os soldados italianos. “Infelizmente, o apelo lançado pelo primeiro-ministro italiano e outros líderes internacionais não teve uma resposta positiva em relação ao Líbano”, sublinhou.
A prioridade do Governo “é apoiar as famílias e empresas expostas à subida dos preços da energia. Apesar do cessar-fogo alcançado entre os EUA e o Irão, “o momento continua difícil” e os desafios “são vencidos se toda a tripulação remar na mesma direção” com “o navio italiano” que “vai na direção certa”, destacou Tajani.
O governo italiano está ao lado das empresas e “mesmo nesta situação complexa, o know-how italiano revelar-se-á mais forte do que qualquer turbulência. O governo interveio de forma decisiva para mitigar os efeitos do aumento dos preços da energia”, destacou Tajani, lembrando como no Conselho de Ministros da semana passada “decidimos prolongar o corte dos impostos especiais de consumo e adotámos um novo pacote de medidas a favor das empresas exportadoras”.
A crise no Médio Oriente tem um impacto direto no sistema económico global e em Itália, cuja economia “é dedicada às exportações” e o governo “está na vanguarda em todos os contextos” para “promover a desescalada e restaurar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz. A diplomacia deve ser o caminho principal”, lembrou Tajani, esperando que “nestes dias seja possível chegar a um acordo” após o cessar-fogo alcançado entre os EUA e o Irão.