Isto foi afirmado pela ONG Human Rights Watch, que num relatório fornece mais detalhes sobre o apoio de Abu Dhabi às milícias do General Mohamed Hamdan “Hemeti” Dagalo.
Mercenários colombianos contratados para lutar no Sudão pelas Forças de Apoio Rápido (RSF) foram treinados nos Emirados Árabes Unidos pela empresa de segurança Global Security Services Group (GSSG), fundada pelo Secretário-Geral do Tribunal Presidencial dos Emirados Mohamed al Humairi. Isto foi afirmado pela ONG Human Rights Watch (HRW), que num relatório publicado ontem, 25 de Maio, fornece mais detalhes sobre o apoio de Abu Dhabi às milícias do General Mohamed Hamdan “Hemeti” Dagalo, em guerra desde Abril de 2023 contra as Forças Armadas regulares pelo controlo do Sudão. Segundo apurou a ONG, os recrutas passaram por duas bases militares antes de serem enviados para o Sudão: a base de Ghiyathi e uma instalação em Al Wathba, também no emirado de Abu Dhabi. Para produzir o relatório, a Human Rights Watch entrevistou dois empreiteiros militares privados colombianos empregados no Sudão, um antigo funcionário do GSSG, oito residentes de El Fasher e sete outras fontes, incluindo antigos oficiais militares colombianos. Segundo as fontes, o Gssg – com sede em Abu Dhabi – recrutou e treinou “centenas de mercenários colombianos” desde 2024.
“HRW” lembra que o fundador do GSSG, Mohamed al Humairi, reporta diretamente ao vice-presidente Mansur bin Zayed Al Nahyanirmão do presidente e dono do Manchester City. “O recrutamento de mercenários colombianos acrescenta-se a um conjunto crescente de provas de que os EAU fornecem apoio militar à RSF, que tem perpetrado repetidamente atrocidades no Sudão”, disse ele. Mauso Segundiretor executivo da divisão africana da Human Rights Watch. A primeira evidência pública da presença de colombianos no Sudão surgiu de vídeos publicados nas redes sociais em Novembro de 2014, quando grupos aliados ao exército sudanês interceptaram um comboio de colombianos que entraram no Sudão vindos da Líbia.
Além disso, de acordo com o que emergiu de outras investigações internacionais, os mercenários colombianos estavam na posse de projécteis de 81 mm de fabrico búlgaro, roubados dos stocks das Forças Armadas dos Emirados Árabes Unidos, em violação dos acordos de utilização final deste tipo de armamento. A HRW também viu vídeos de mercenários que se acredita serem colombianos a lutar em Al Fasher (Norte de Darfur) durante a sangrenta tomada da cidade pela RSF em Outubro de 2025, um período em que ocorreram assassinatos, violações e abusos generalizados. Por último, no relatório, um empreiteiro colombiano afirma ter treinado combatentes da RSF em campos em Nyala, o principal reduto paramilitar no sul de Darfur, em Abril de 2025, afirmando que “muitos recrutas eram crianças”.