Entre 2014 e 2015 a cidade foi palco de uma longa batalha que marcou uma viragem no conflito sírio e na luta contra o ISIS
O comandante geral das Forças Democráticas Sírias (DFS), Mazloum Abdi, afirmou ter pedido ao governo sírio que não entrasse na cidade de Kobane (Ain al Arab), no norte da província de Aleppo, acrescentando que Damasco manifestou o seu consentimento ao pedido. Abdi relatou isso em uma entrevista à emissora curda “Ronahi”. Kobane, situada ao longo da fronteira com a Turquia, é considerada um dos principais símbolos da resistência curda contra o Estado Islâmico: entre 2014 e 2015 a cidade foi palco de uma longa batalha que marcou uma viragem no conflito sírio e na luta contra o ISIS, graças ao apoio da coligação internacional liderada pelos Estados Unidos. Desde então, Kobane manteve um forte valor político e simbólico para as FDS e para a administração autónoma do nordeste da Síria.
Abdi disse que os confrontos em curso em Kobane “vão parar” e sublinhou que o diálogo com o governo sírio permanece aberto, especificando que o recente cessar-fogo foi alcançado com a mediação dos Estados Unidos. O comandante das FDS indicou ainda que a actual trégua, prorrogada por 15 dias, deverá ser seguida de “passos sérios no sentido da integração”, reiterando a disponibilidade das Forças Democráticas Sírias em implementar rapidamente o acordo de 18 de Dezembro com Damasco. Durante a entrevista, Abdi relatou que foram propostos alguns nomes para os cargos de vice-ministro da Defesa e governador da província de Al Hasaka, principal reduto das FDS no nordeste do país, sem que ainda tenha sido alcançado um acordo definitivo. Abdi acrescentou que as negociações com Damasco decorrem sob supervisão internacional, com o envolvimento dos Estados Unidos e da França, incluindo o presidente francês, Emmanuel Macron.
O comandante curdo esclareceu, no entanto, que o processo em curso ainda não pode ser considerado um acordo final, sublinhando a necessidade de “transparência com a população” e alertando que o sucesso dos esforços de desescalada dependerá do compromisso de Damasco e da ausência de condições consideradas “não aceitáveis”. O contexto continua marcado por tensões no terreno. Nas últimas horas, o exército sírio e as Forças Democráticas Sírias acusaram-se mutuamente de violações do cessar-fogo, enquanto as forças governamentais avançaram em direcção às zonas circundantes de Ain al Arab após a retirada das FDS de Raqqa e Deir Ezzor, regiões de maioria árabe que nos últimos dias voltaram ao controlo de Damasco.