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Setor não hoteleiro em dificuldade em Cagliari, as operadoras precisam se concentrar na qualidade

O abrandamento é evidente, com o período de maio de 2025 a janeiro de 2026 a registar uma diminuição constante da presença turística

Os números falam claramente: em Cagliari, o setor do turismo não hoteleiro vive uma fase difícil. Os dados mostram uma queda no número de reservas e no volume de negócios. 2025 registou uma queda de 1,65 por cento nas receitas em comparação com 2024, enquanto as noites vendidas diminuíram 4,44 por cento. Para dar uma imagem completa desta situação é Maurício Battelli, presidente da associação Extra, que representa as operadoras do setor. “Não podemos negar que o setor passa por um momento delicado. Não é uma crise catastrófica, mas a situação não pode ser ignorada”, afirma.

O abrandamento é evidente, com o período de Maio de 2025 a Janeiro de 2026 a registar um declínio constante na presença de turistas. O Inverno de 2025 teve números preocupantes: Dezembro registou uma quebra no volume de negócios de 15,27 por cento e uma redução nas noites vendidas de 13,8 por cento. O início de 2026 não registou qualquer melhoria, com janeiro a registar uma queda dramática de 37,57 por cento no volume de negócios e 29,98 por cento na taxa média. “Chegamos a um ponto em que, apesar da redução dos preços, não conseguimos ver um retorno adequado em termos de chegadas”, explica Battelli.

O setor, que inclui pousadas, pousadas e aluguéis de curta duração, vive um momento delicado. Segundo Battelli, um dos principais fatores de dificuldade está ligado à falta de ligações aéreas fora do verão. “Não podemos fingir que não é um problema. A Sardenha sofre de uma sazonalidade que não escapa aos meses de verão”, afirma. Destinos concorrentes, como a Sicília e a Apúlia, continuam a crescer mesmo nos meses mais frios, enquanto Cagliari luta para manter um fluxo constante de turistas para além dos picos da época alta. “Falta uma verdadeira estratégia de promoção e dessazonalização”, admite Battelli, que reitera que Cagliari não consegue atrair turistas na época baixa.

Para complicar o quadro, a recente introdução da nova continuidade territorial, que, embora favoreça os residentes, corre o risco de penalizar os turistas. “Os voos serão mais baratos para os sardos, mas não para os visitantes”, explica Battelli, destacando o risco de as tarifas para não residentes aumentarem, reduzindo ainda mais a competitividade do destino. A questão que surge é clara: como pode o setor não hoteleiro continuar a crescer se não existem ferramentas para atrair turistas ao longo do ano? Quanto à disputa entre a companhia aérea low cost Ryanair e a Região sobre a redução das taxas aeroportuárias, o presidente do Extra é claro: “A Ryanair solicitou a eliminação das taxas de embarque, uma ideia que poderá ter efeitos positivos, trazendo mais turistas para a Sardenha graças aos voos mais baratos”, explica. Battelli, no entanto, não esconde a sua preocupação relativamente às implicações económicas deste pedido. “Se a Região aceitasse esta proposta, seria forçada a cobrir a parte do imposto que de outra forma seria suportada pelos passageiros. Isto poderia reduzir ainda mais as margens de lucro do destino, aumentando o risco de que a sustentabilidade económica do nosso sector fosse comprometida”.

Battelli sublinhou ainda como esta situação exige uma avaliação cuidadosa por parte das instituições. “Sabemos que a Ryanair tem um forte poder de negociação nesta fase. Se a Sardenha aceitasse a proposta, poderiam ser obtidos mais voos e destinos, mas teremos de ter cuidado sobre como isso irá afectar os recursos da Região. Não podemos dar-nos ao luxo de pôr em risco a competitividade do nosso destino turístico a longo prazo apenas para tentar reduzir os custos dos bilhetes de avião, mesmo que isto possa parecer uma solução interessante a curto prazo.”
Um aspecto significativo é representado pelo crescimento da oferta não hoteleira que aumentou a concorrência. “Hoje, quem coloca um apartamento em portais especializados não pode mais esperar ser levado em consideração automaticamente. A qualidade passou a ser a chave”, afirma Battelli. Os operadores devem adaptar-se a uma procura mais seletiva e a um mercado em que já não basta lançar um anúncio com uma fotografia mal desenhada e esperar que os clientes cheguem. “Quem não está bem estruturado, quem não tem uma boa apresentação ou quem não está preparado para responder às demandas modernas corre o risco de ficar de fora”, acrescenta.

Apesar das dificuldades, Battelli está otimista quanto ao futuro, ainda que com atitude pragmática. “Não estamos em crise, mas estamos numa fase de ajustamento. O mercado está a amadurecer e os operadores precisam de se adaptar. Temos de abraçar o desafio da profissionalização e da qualidade.” Segundo o presidente, a solução vem da capacidade de fazer networking e encontrar novas formas de atrair turistas mesmo fora de temporada. “O Cagliari tem um enorme potencial, mas precisamos de uma estratégia direcionada que seja capaz de aproveitar ao máximo os nossos recursos na época baixa.” A mostra de turismo não hoteleiro que se realizará em Cagliari de 10 a 12 de Abril, organizada pela associação Extra, será uma oportunidade para fazer um balanço da situação e discutir as perspectivas futuras do sector. Uma oportunidade para discutir e buscar soluções concretas num mercado que, apesar de sofrido, ainda tem muito a oferecer.

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.