“Em todos os casos de emergência, a Comissão tem sempre a flexibilidade necessária”, afirmou o Vice-Presidente
A suspensão do novo Pacto de Estabilidade da UE “é uma hipótese que não pode ser descartada” caso a crise no Médio Oriente se torne “incontrolável” para os Estados-membros e para as indústrias. Isto foi afirmado pelo Vice-Presidente da Comissão Europeia responsável pela indústria, Stéphane Séjourné, em entrevista ao “La Repubblica”, comentando o pedido do Ministro da Economia Giancarlo Giorgetti.
“Em todos os casos de emergência, a Comissão tem sempre a flexibilidade necessária. Se esta crise se tornasse uma crise sistémica e não cíclica, se o Estreito de Ormuz não reabrisse, se a guerra durasse, provavelmente entraríamos em soluções excepcionais. Por enquanto este não é o caso”, disse Sejourné hoje em Itália para uma discussão bilateral com o Ministro dos Negócios e do Made in Italy Adolfo Urso nos principais dossiês europeus sobre competitividade. Na frente energética, o vice-presidente explicou que “tudo o que possa evitar o pico energético é útil e pode ser estudado”, referindo-se também à proposta de taxar os lucros extra das empresas energéticas. “Da Covid à Ucrânia e agora ao Médio Oriente, são as mesmas causas que criam sempre as mesmas consequências. As dependências energéticas estratégicas tornam-se uma vulnerabilidade para os Estados-membros e os preços sobem”, acrescentou. Quanto às medidas de curto prazo, Sejourné observou que “os Estados são soberanos”, mas apelou a uma abordagem pragmática e coordenada, sublinhando a necessidade de “um sector energético europeu mais integrado” e de novas interligações. Sobre a energia nuclear, reiterou que se trata de “uma decisão nacional”, mas acrescentou que as novas tecnologias, incluindo os minirreactores, “poderão ser muito úteis” se forem seguras, capazes de reforçar a independência energética e baixar o preço da electricidade.