Segundo a investigação realizada pelo semanário alemão “Der Spiegel” em conjunto com o site “The Insider”, a estrutura poderia contar com cerca de 500 membros
A inteligência militar russa (GRU) estabeleceria uma nova unidade especial em 2023 destinada a operações de sabotagem, missões clandestinas e possíveis ações contra oponentes no exterior. A informação foi noticiada pelo semanário alemão “Der Spiegel” numa investigação realizada em conjunto com o site investigativo “The Insider”. Segundo a investigação, a estrutura — denominada Unidade Militar 75127, também conhecida como “Centro 795” — foi criada por orientação do Estado-Maior Russo e podia contar com cerca de 500 membros. A unidade funcionaria no mais estrito sigilo e estaria formalmente ligada a um centro de treinamento do fabricante de armas Kalashnikov localizado no parque militar Patriot, perto de Moscou.
Segundo documentos citados pela investigação, a estrutura estaria organizada em três áreas principais – reconhecimento, ataque e apoio operacional – com dezenas de departamentos especializados, incluindo operadores de drones, atiradores, hackers e unidades envolvidas em atividades no exterior. A existência da nova formação também emergiu através de documentos públicos e referências em processos judiciais militares. A investigação indica também que um cidadão russo detido no final de fevereiro em Bogotá, capital da Colômbia, pode estar ligado à estrutura: os investigadores norte-americanos suspeitam que ele planeava operações contra alguns dissidentes residentes em países europeus. Segundo fontes de segurança citadas pelos dois meios de comunicação, a criação da unidade também estaria ligada a críticas dirigidas à anterior unidade de elite 29155 do GRU, acusada no passado de operações clandestinas na Europa, incluindo o envenenamento em 2018 do ex-agente russo. Serguei Skripal no Reino Unido. A nova unidade, de acordo com as reconstruções citadas pela investigação, foi inicialmente concebida para operações relacionadas com a guerra na Ucrânia, mas também poderia ser utilizada em missões fora do teatro de guerra.