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Remédio comum para dormir pode desacelerar avanço do Alzheimer, revela estudo surpreendente

Remédio comum para dormir pode desacelerar avanço do Alzheimer, revela estudo surpreendente

Uma pista noturna na batalha contra o Alzheimer?

Imagine enfrentar o Alzheimer com… uma boa noite de sono! Pode soar como o início de um conto moderno para insônia, mas, segundo um estudo publicado em 2023, talvez haja mais verdade nesse enredo do que pensamos. Pesquisadores da Universidade de Washington em St. Louis descobriram que o uso de comprimidos para dormir pode reduzir o acúmulo de proteínas tóxicas no fluido que, literalmente, limpa nosso cérebro enquanto dormimos. Sim, o cérebro tem sua própria rotina de faxina noturna, e dormir bem pode ser fundamental para esse processo.

O papel do sono e do suvorexanto no combate às proteínas do Alzheimer

O estudo concentrou-se em um medicamento bastante conhecido no combate à insônia: o suvorexanto. Em um experimento conduzido em uma clínica do sono, adultos entre 45 e 65 anos receberam o remédio (em uma das duas doses possíveis) ou um comprimido de placebo. Depois de apenas duas noites, os participantes que tomaram o suvorexanto apresentaram uma pequena queda em dois tipos de proteínas geralmente associadas ao Alzheimer: a amiloide-beta e a tau. Esses vilões microscópicos tendem a se acumular ao longo dos anos, formando placas e emaranhados que atrapalham o funcionamento das células cerebrais.

Segundo a pesquisa, houve redução das concentrações de amiloide-beta de 10 a 20 por cento com a dose normalmente prescrita para insônia, em comparação ao placebo. Detalhe curioso: não houve diferenças na qualidade do sono entre os grupos — ou seja, algo além do simples ato de dormir pode estar em jogo.

Avanços e ressalvas: nem tudo é sonho

Antes que alguém corra para a farmácia buscando este “milagre do travesseiro”, uma informação fundamental: tomar suvorexanto todas as noites, sem orientação médica, não é solução e pode, inclusive, ser precipitado. O neurologista Brendan Lucey, líder da pesquisa, alerta: ainda não há evidências suficientes para recomendar o uso rotineiro do remédio como prevenção do Alzheimer. Afinal, pílulas para dormir, às vezes, podem induzir ao sono superficial, em vez do sono profundo, que é justamente o mais importante para o gerenciamento dessas proteínas.
Pesquisas anteriores da equipe de Lucey já haviam mostrado que sono de má qualidade, especialmente com pouca proporção de ondas lentas, está relacionado ao aumento nas taxas dessas proteínas.

Além disso, a hipótese predominante de que aglomerados anormais de proteínas seriam a causa principal do Alzheimer tem sido discutida recentemente, já que décadas de investigações focando na redução desses níveis não trouxeram tratamentos ou terapias realmente eficazes para frear ou evitar a doença. Esse impasse está levando os especialistas a repensar os caminhos de desenvolvimento e prevenção do Alzheimer.

O valor do sono e atitudes práticas para o cérebro

Ainda que a ciência precise de tempo para desvendar todos os mecanismos, uma coisa está ficando clara: distúrbios do sono podem ser um dos sinais de alerta do Alzheimer, surgindo antes mesmo de outros sintomas mais conhecidos, como perda de memória e dificuldade cognitiva. E, infelizmente, não há um tratamento definitivo para a doença.

Enquanto o futuro dos remédios não chega, Lucey sugere abordagens prudentes:

  • Melhorar a higiene do sono (diga adeus ao celular na cama e olá à rotina relaxante antes de dormir)
  • Buscar tratamento para problemas como apneia do sono
  • Manter hábitos saudáveis para o cérebro em todas as fases da vida

Como o próprio Dr. Lucey afirma, há esperança de que futuramente desenvolveremos medicamentos capazes de aproveitar a conexão entre sono e Alzheimer para impedir o declínio cognitivo. Mas a ciência ainda está ajustando o despertador: “Ainda não chegamos lá”.

Se tem uma lição para hoje, é esta: cuide do seu sono — seu cérebro agradece, mesmo sem levantamento de placa!

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.