André Marques, o maquinista, querido pelos colegas
Entre as vítimas está Andre Marques45 anos, o engenheiro da Carris, de serviço naquele maldito dia. Ele trabalhava na empresa há 15 anos e era conhecido pelo sorriso e pela dedicação ao trabalho. Nascido em Sarnadas de São Simão, adorava regressar à sua pequena cidade para estar com a mãe. Ele havia prometido que iria visitá-la no domingo seguinte à tragédia. Ele deixa esposa e dois filhos pequenos. Colegas e amigos lembram dele como um profissional apaixonado e sempre pronto a ajudar. É um rosto histórico do Funicolare da Glória, trabalhando nele diariamente há muitos anos. Há alguns anos ele falava durante um programa de televisão dedicado ao funicular.
Funcionários da Santa Casa da Misericórdia

Quatro boas pessoas, quatro trabalhadores de Santa Casa da Misericórdia que perderam suas vidas juntos. Eram quatro amigos, antes de serem colegas. Naquele dia, eles esperaram para pegar o funicular. Eu sou: Alda Matiasmembro da Unidade de Avaliação de Projetos Financeiros. Pedro Trindadeprofessor em instituto de hotelaria e ex-árbitro de vôlei. Ana Paula Lopesnatural de Vergão, casada e mãe de uma filha. Há dois anos, seu irmão também morreu. Sandra Coelhoengajados no cuidado de idosos. As quatro vítimas tinham terminado o turno naquela tarde e eram frequentadoras habituais do funicular da Glória, em Lisboa.
Kayleigh Smith e Will Nelson, o casal de artistas britânicos

Da Inglaterra vem a dor pela morte de Kayleigh Gillian Smith36 anos e Nelson44 anos. Professores de atuação e teatro, foram companheiros de vida e de trabalho. Segundo a comunicação social britânica, só tinham chegado a Lisboa no dia anterior. Kayleigh era conhecida por seu espírito excêntrico e paixão pelo teatro, enquanto seu parceiro Will também lecionava na Universidade de Cumbria. Os amigos descrevem-nos como um casal brilhante e generoso, que deixa um enorme vazio na comunidade artística.
Heather Hall, a professora americana

A tragédia também levou embora Heather Salão52 anos, professor universitário de Faculdade de CharlestonCarolina do Sul, mãe de dois filhos. Esteve em Lisboa para uma conferência académica. Sua família se lembra dela como uma mulher corajosa e generosa que dedicou sua vida à educação e aos alunos. “Ele acreditava nos filhos de todo o coração e só queria vê-los realizar seus sonhos”, escreveu um familiar nas redes sociais em uma mensagem emocionada.
André Bergeron e Blandine Daux, o casal canadense

Um casal canadense, duas pessoas simples, admiradas pelo amor sincero. André Bergeron E Blandine Daux eles eram residentes de Quebec. Ela é especializada em arqueologia e restauração de objetos históricos. Juntos há mais de 20 anos, os pais das duas filhas, Eveline e Violette, estiveram em Lisboa para celebrar a reforma de André. Blandine nasceu na França, enquanto era canadense. Eles pegaram um vôo de volta para o Canadá no dia seguinte ao acidente. Amigos e familiares ficam chocados. Todos se lembram de seu entusiasmo pela vida e do amor um pelo outro. Uma arrecadação de fundos foi iniciada para apoiar as duas filhas e muitas pessoas já aderiram.
Aziz, o homem entre dois mundos
Há também entre as vítimas Aziz42 anos, cidadão marroquino com passaporte canadense, residente em Toronto e empregado no setor financeiro. Ele estava de férias com a esposa. O seu corpo será transferido para Marrocos para o funeral. Detalhes completos não foram divulgados.
Um refugiado ucraniano e todas as outras vítimas da tragédia do funicular de Lisboa
Um imigrante ucraniano de 54 anos, que chegou a Portugal após a invasão russa ao seu país, graças a uma autorização de residência para fins de proteção humanitária, perdeu a vida no acidente. Sua identidade ainda não foi revelada. Entre as vítimas também estão contadas dois cidadãos sul-coreanosum Cidadão suíço e um Britânico de 82 anos. Os seus nomes ainda permanecem desconhecidos, mas a dor do seu desaparecimento é partilhada pelas comunidades a que pertencem.
Nestas horas de luto, Lisboa e todo o Portugal estão unidos na memória das 16 vítimas do funicular da Glória. A lista de vítimas mostra o quanto esta tragédia, ocorrida no dia 3 de setembro no funicular da Glória, em Lisboa, afetou famílias e comunidades de diversos países. Choramos de Portugal ao Canadá, dos Estados Unidos ao Reino Unido, da Suíça à Coreia do Sul, até à Ucrânia. Uma dor que atravessa fronteiras e culturas, lembrando que por trás de cada número existem rostos, histórias, vínculos rompidos. Será um drama que ficará para sempre nas páginas da história da capital portuguesa.