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Primeiro-ministro chinês Li: “Fortalecer a coordenação com a Zâmbia em resposta ao caos internacional”

“Durante muito tempo, independentemente das mudanças na situação internacional, a China e a Zâmbia sempre se respeitaram, confiaram e apoiaram-se mutuamente”

A China está disposta a reforçar a coordenação com a Zâmbia em fóruns multilaterais e a salvaguardar a ordem, a imparcialidade e a justiça internacionais no “mundo caótico e interligado de hoje”. O primeiro-ministro chinês disse isso, Li Qiangapós a sua chegada ao Aeroporto Internacional de Lusaka, onde foi recebido ontem, 19 de Novembro, pelo Vice-Presidente da Zâmbia, Mutale Nalumango, e o embaixador chinês, Han Jing.

Li Qiang – o primeiro primeiro-ministro chinês a visitar o país da África Austral em 28 anos – disse que Pequim e Lusaka “desfrutam de uma profunda amizade tradicional”. “Durante muito tempo, independentemente das mudanças na situação internacional, a China e a Zâmbia sempre se respeitaram, confiaram e apoiaram-se mutuamente, forjando juntas o espírito de amizade e cooperação China-África”, disse ele. “Nos últimos anos, graças à orientação estratégica dos presidentes Xi Jinping E Hakainde Hichilema, os dois países continuaram a aprofundar a confiança política mútua e a cooperação frutífera em vários domínios, tornando-se um modelo de solidariedade e cooperação entre os países em desenvolvimento”, sublinhou Li.

Conforme relatado pelo embaixador Han Jing nas vésperas da visita do primeiro-ministro, que termina hoje, está prevista a assinatura de dezenas de acordos de cooperação. “O impacto da ajuda e do investimento chineses pode ser sentido em todo o país como uma força importante para a transformação económica e o progresso social da Zâmbia”, disse Han num comunicado, encorajando Lusaka a “aproveitar o impulso tecnológico e económico da China para fortalecer capacidades e construir maior resiliência”. Pequim é o principal credor oficial da Zâmbia, com dívidas de 5,7 mil milhões de dólares. A industrialização do país africano – sobrecarregado por uma dívida de 13,4 mil milhões de dólares – exige novos investimentos no sector mineiro, infra-estruturas e capacidade de produção. Pequim, por sua vez, pretende aumentar as exportações de tratores, equipamentos elétricos e veículos de construção.

Segundo Eric Olander, co-fundador da organização independente China-Global South Project, a visita de Li fortalecerá a posição de Pequim num país chave, onde tanto o Presidente Hakainde Hichilema como as empresas mineiras chinesas precisam de apoio, também à luz do acidente ambiental que contaminou o rio Kafue em Fevereiro e provocou debate político interno. O governo chinês aprovou também este ano uma renovação em grande escala do histórico Caminho de Ferro de Tazara (que liga Dar es Salaam, na Tanzânia, a Kapiri Mposhi, na Zâmbia), vista como uma resposta ao Corredor do Lobito (que liga a República Democrática do Congo e a Zâmbia ao porto do Lobito, em Angola), apoiada pelos Estados Unidos e pela União Europeia.

Nos últimos vinte anos, segundo estimativas do think tank norte-americano American Enterprise Institute, as empresas chinesas investiram cerca de seis mil milhões de dólares no país, quase todos no sector metalúrgico. Entretanto, a concorrência com empresas europeias e norte-americanas está a crescer, enquanto Bruxelas anuncia novos investimentos ao longo do Corredor do Lobito. No domingo, Hichilema também se encontrou com Donald Trump Junior, segundo o que foi noticiado na conta X do presidente da Zâmbia.

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.