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Portugal: o socialista Seguro é o favorito na segunda volta das presidenciais, o centro-direita está dividido sobre Ventura

Na primeira volta, a 18 de janeiro, o candidato socialista António José Seguro obteve 31,1 por cento dos votos, à frente do líder da formação de direita Chega! (Basta!) André Ventura com 23,5 por cento

Onze milhões de cidadãos portugueses são hoje chamados às urnas para a segunda volta das eleições presidenciais, marcadas pela tentativa de travar a ascensão da extrema-direita e pelas recentes tempestades mortais que atingiram o país. No primeiro turno, em 18 de janeiro, o candidato socialista Antonio José Seguro obteve 31,1 por cento dos votos, à frente do líder da direita Chega! (Suficiente!) Andre Ventura com 23,5 por cento. João Cotrim de Figueiredodo partido centrista Iniciativa Liberal, parou em cerca de 16 por cento, enquanto Luís Marques Mendescandidato do Partido Social Democrata (PSD), expressão do centro-direita, obteve 11,3 por cento. As sondagens indicam uma grande vantagem para Seguro: segundo uma sondagem da Universidade Católica publicada terça-feira, o candidato socialista ficaria com 67 por cento contra os 33 por cento de Ventura. Se confirmado, este seria o melhor resultado para um presidente em primeiro mandato nos cinquenta anos desde a queda do regime autoritário. No entanto, vários analistas políticos portugueses apontam que um resultado acima dos 32 por cento para Ventura representaria um divisor de águas político, uma vez que o Chega! ultrapassaria a quota obtida pelo PSD nas últimas eleições legislativas. “O problema atual é a percentagem de André Ventura e a sua capacidade de mobilização do eleitorado de direita”, declarou o cientista político António Costa Pinto da Universidade de Lisboa, observando que uma possível ultrapassagem do consenso do primeiro-ministro Luís Montenegrolíder do PSD, reforçaria o plano de Ventura de “canibalizar o espaço ocupado pela direita em Portugal”.

Num esforço para afastar uma presidência de extrema direita, várias figuras conservadoras expressaram apoio a Seguro, incluindo o ex-presidente e primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva e o ex-vice-primeiro-ministro Paulo Portas. Mais de 6.600 signatários, incluindo políticos, ex-ministros e figuras públicas, assinaram uma carta aberta a favor do candidato socialista. O presidente da Câmara de Lisboa Carlos Moedas declarou que votará em Seguro porque é “capaz de não criar divisões”, embora tenha definido o seu apoio como “menos que entusiasmado”. A líder da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, também anunciou o seu voto no Seguro “sem entusiasmo”. Em vez disso, o primeiro-ministro Montenegro descartou o apoio oficial a um dos candidatos, afirmando que o PSD está fora da campanha. Cotrim de Figueiredo não apoiou explicitamente Seguro, mas deixou claro que não votará em Ventura, nem se absterá ou votará em branco.

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.