As causas? Uma rede nacional de água antiga, muitas vezes mal conservada, e um investimento público insuficiente. “Os dados são estáveis, mas não favoráveis”, comentou o presidente da ERSAR, Vera Eirodurante a apresentação Relatório RASARP 2023. “Precisamos de um roteiro real para reduzir perdas e melhorar a eficiência.”
Desperdício de água que custa caro
As consequências económicas são muito graves: só em 2023, perdas reais de água custam aos municípios 88 milhões de eurosum número crescente em comparação com os 83 milhões do ano anterior. Se considerarmos o período 2019-2023, a perda total ascende a 433 milhões de euros. E se a tendência não se inverter, estima-se que entre agora e 2030 serão desperdiçados outros 520 milhões de eurospara um total próximo de bilhão.
A estes números são adicionados os “entradas indevidas. São infiltrações de águas pluviais nas redes de esgoto, ligações incorretas entre sistemas de drenagem e esgotamento sanitário – que em 2023 custaram 102 milhões de eurosquase o dobro em relação a 2022. No total, entre perdas de água e afluências indevidas, o sistema queimou 190 milhões de euros em apenas um ano.
O Algarve está entre as zonas mais afetadas
Um problema de perdas de água em Portugal ignorado durante demasiado tempo
Entretanto, porém, a realidade é que mais de 27% da água potável distribuída em Portugal é desperdiçada. Um número que não só pesa nos cofres públicos, mas levanta sérias questões sobre a sustentabilidade ambiental e a resiliência do país face às alterações climáticas e à seca crescente.
O investimentos cumulativos no setor de água e resíduos eles alcançaram i 18,7 mil milhões de euros em 2023, mas os resultados demoram a chegar. E se o problema já é conhecido há algum tempo, o que falta é o vontade política e administrativa para enfrentá-lo de forma estrutural.
Como lembrado peloERSARcada litro de água que não chega ao destino é um fracasso coletivo: técnico, econômico e ambiental.