Por que quase 20% das mulheres sofrem com essa doença pouco conhecida?
Você já ouviu falar em adenomiose? Se a resposta for “não”, saiba que está longe de estar sozinha – e talvez seja hora de mudar isso. Essa condição crônica pode causar dores tão intensas que até quem trabalha na televisão, como a apresentadora da BBC Naga Munchetty, já precisou de ambulância. Prepare-se para descobrir por que, mesmo atingindo tantas mulheres, a adenomiose segue discreta, misteriosa e, para piorar, subdiagnosticada.
O que é adenomiose e por que ela é tão enigmática?
A adenomiose é uma condição crônica que afeta o útero, deixando muitas mulheres — e até alguns médicos — confusos. Munchetty contou ao público que sua dor pode ser tão incapacitante que, em algumas ocasiões, seu marido precisou chamar uma ambulância. Mas ela não está só: sintomas como dor pélvica intensa, sangramento menstrual irregular e volumoso fazem parte do pacote para muitas pessoas.
No entanto, nem todo mundo sente tudo isso. O curioso (ou frustrante) é que cerca de um terço das mulheres que têm adenomiose apresentam sintomas mínimos ou até praticamente nenhum. Ou seja: é possível conviver com a doença sem sequer desconfiar.
De onde vem essa encrenca?
Apesar de ainda haver muito campo para desbravar na ciência, o que se sabe é que a adenomiose está relacionada ao funcionamento do miométrio. Para refrescar a memória: o miométrio é a camada muscular do útero, responsável por expandir durante a gravidez e pelas contrações. Porém, em mulheres com adenomiose, células parecidas com as do endométrio (tecido que reveste o útero) aparecem no lugar errado — dentro do próprio miométrio.
Como isso acontece? Em algumas pessoas, a camada do endométrio é danificada e não cicatriza direito. Assim, essas células “perdidas” acabam crescendo anormalmente dentro do miométrio, atrapalhando seu funcionamento. O resultado? Dores e sangramento, para variar.
Diagnóstico difícil: mistério até para especialistas
A saga para obter o diagnóstico de adenomiose costuma ser longa. Tradicionalmente, só era possível ter certeza absoluta da presença dessas células fora de lugar observando o miométrio sob um microscópio, depois de uma histerectomia (cirurgia para retirada do útero). Ou seja: só depois de uma cirurgia que muitas vezes não tinha nem como objetivo tratar a adenomiose.
Por isso, até hoje, não sabemos ao certo quantas mulheres realmente têm essa condição. O que se sabe é que, em cerca de 20% das mulheres que fazem histerectomia (por motivos que nada têm a ver com suspeita de adenomiose), há indícios da doença após o exame laboratorial. Isso sugere que a adenomiose pode ser muito mais comum do que se imagina.
Tratamentos: ajuste fino e nem sempre certeiro
Se o diagnóstico já é um desafio, o tratamento não fica muito atrás. As opções incluem medicamentos hormonais, como anticoncepcionais orais, comprimidos com progesterona, o uso do dispositivo intrauterino liberador de progesterona (como o famoso Mirena), ou até o medicamento GnRHa, que interrompe temporariamente a produção natural de hormônios sexuais.
Agora, o importante: nenhum tratamento é uma receita de bolo. O que funciona para algumas mulheres pode não ajudar em nada para outras, reforçando a ideia de que talvez existam diferentes tipos de adenomiose. Assim, a estratégia terapêutica deve ser personalizada – levando em conta os sintomas de cada pessoa e seus desejos relacionados à fertilidade.
- Anticoncepcionais orais
- Pílulas com progesterona
- Dispositivo intrauterino de progesterona (exemplo: Mirena)
- GnRHa para bloquear temporariamente hormônios sexuais
Hora de falar sobre adenomiose!
Apesar de afetar tantas pessoas, ainda há desconhecimento e pouca conscientização sobre a adenomiose, tanto entre o público quanto entre profissionais de saúde. Isso precisa mudar. Entender mais sobre a doença, melhorar as formas de diagnóstico e discutir opções de tratamento é fundamental.
Se você é mulher e sente dores pélvicas inexplicáveis, menstruação intensa ou irregular, compartilhar essas informações pode ser um primeiro passo para buscar ajuda e conscientizar ainda mais pessoas. Afinal, adenomiose não deveria ser uma doença tão silenciosa quando causa tanto impacto na vida de tantas mulheres.