Você já notou como alguns parecem ser banquete preferido dos mosquitos, enquanto outros passam a noite ilesos, como se tivessem passado repelente invisível? Se você é do tipo que atrai esses vampiros voadores de longe (mesmo em família ou rodeado de amigos), está na hora de desvendar: será que existe realmente a famosa “pele de mosquito” e esse tal “sangue doce” irresistível? Prepare-se, porque a resposta é mais curiosa – e até engraçada – do que você imagina.
O mito do sangue doce: será verdade?
Quantas vezes você já ouviu que “mosquito gosta de sangue doce”? Pois saiba que essa história não tem o menor fundamento científico. Os mosquitos, coitados, nem são capazes de detectar a concentração de açúcar no seu sangue – então aquela desculpa, infelizmente, caiu por terra! O que realmente chama a atenção desses insetos são os odores naturais do nosso corpo. E antes que você pense que seu perfume preferido está em julgamento, fique tranquilo: nada de culpa para shampoo ou fragrância, a questão aqui é puramente biológica.
Cada um com seu cheiro (e suor!)
Sim, é verdade: a transpiração é uma festa para os mosquitos. Mas a injustiça está em que cada um de nós transpira de maneira diferente – alguns exalam odores muito marcantes, outros quase nada. Em 2017, a neurocientista Helen Shen explicou na revista PNAS que “os humanos emitem centenas de moléculas odoríferas no ar”. Essas moléculas são um verdadeiro mapa para os insetos, facilitando na hora de escolher seu alvo.
Além disso, Gregory L’Ambert, especialista do setor de Métodos e Pesquisa da Entente Interdepartamental de Controle de Mosquitos do litoral mediterrâneo, explicou em 2014 que são as odores que atraem o mosquito: “Seu olfato é poderosíssimo, capaz de detectar quase 150 substâncias diferentes liberadas pelo corpo humano”. Ou seja, estamos praticamente emitindo convites aromáticos, sem nem perceber!
- Transpiração intensa pode ser prato cheio para mosquitos.
- Cada pessoa libera odores corporais únicos.
- Pelo menos 150 moléculas diferentes podem ser “sentidas” por eles.
O papel do gás carbônico: um radar de precisão
Mas não para por aí. Outro fator decisivo é o CO2 que expiramos – sim, até respirar pode ser motivo para ser picado! Os mosquitos são especialistas em detectar gás carbônico no ar, e conseguem perceber essas emissões a até 30 metros de distância.
E o que faz alguém exalar mais CO2? Detalhes como consumir álcool, estar acima do peso e ter temperatura corporal elevada. Há até um grupo especialmente visado: as mulheres grávidas. Segundo um estudo publicado no British Medical Journal em 2000, gestantes emitem 21% a mais de CO2 do que o resto das pessoas. Ou seja, além dos sapatos apertados e vontades inusitadas, agora mais um desafio para quem está esperando bebê!
- Mosquitos sentem CO2 a até 30 metros.
- Consumo de álcool, sobrepeso e corpo quente aumentam o risco.
- Gestantes: 21% mais CO2, 21% mais “delícia” para os mosquitos.
Sangue, sim – mas tipo O te deixa mais vulnerável
Para completar a lista de fatores que tornam alguém mais (ou menos) interessante para os mosquitos, temos ainda o famoso mosquito tigre, o Aedes albopictus. Esse vilão, que pode transmitir dengue e chikungunya, mostra uma preferência marcada pelotype sanguíneo. De acordo com um estudo japonês de 2004, pessoas do grupo O têm 85% mais risco de atrair esse mosquito, enquanto os demais grupos só chegam a 45%. Justo? Certamente não – mas, pelo menos agora, você sabe a razão de acordar com aquela marca vermelha (e talvez seu parceiro, não!).
- O Aedes albopictus prefere o grupo sanguíneo O.
- 85% de risco extra para atrair o mosquito se for do grupo O.
- Outros grupos: risco bem menor (45%).
Conclusão: Não é sangue doce, não é simpatia e nem azar. O segredo está nos odores corporais, suor, CO2 e, dependendo do mosquito, até seu tipo sanguíneo. Então, se você é alvo constante, não se culpe (mas talvez aposte em um bom repelente!). Sorria: cada picada é só mais uma prova de que seu corpo está funcionando direitinho – só tente não coçar para não deixar o mosquito sair vitorioso!