Algumas forças da direita radical europeia, após a derrota eleitoral do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, estão a reavaliar o custo político da proximidade com a administração dos EUA
O presidente dos Estados Unidos Donald Trump é cada vez mais vista como um factor de risco também pelas forças da direita radical europeia, que após a derrota eleitoral do primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán estão a reavaliar o custo político da proximidade com a administração dos EUA. Segundo um alto funcionário do Rassemblement National entrevistado pela edição europeia do “Politico”, Marina Le Pen ele teria dito ao seu povo durante uma reunião interna que era necessário “manter distância”, enquanto a mesma fonte afirmou que “a proximidade com os Estados Unidos no contexto atual não foi bem recebida pelos eleitores húngaros”. O reposicionamento teria sido acelerado não só pela votação na Hungria, mas também pelas consequências da guerra no Irão e pelo confronto entre Trump e Papa Leão XIV.
Na Alemanha, representantes da Alternative for Germany expressaram avaliações semelhantes: Torben Braga afirmou que, “no contexto eleitoral específico”, a ligação com Trump não parece ser uma estratégia promissora, enquanto Matthias Moosdorf ele definiu a “ostentosa demonstração de amizade” com Washington, incluindo o apoio do vice-presidente, como um “fardo insuportável” para Orbán James David Vance. No entanto, segundo o texto, mantém-se o legado político do primeiro-ministro húngaro, considerado por muitos direitistas europeus como um modelo para a agenda populista, desde o confronto com Bruxelas até aos ataques ao Estado de direito e ao sistema mediático. Na verdade, vários expoentes nacionalistas acreditam que a vitória do Pedro Magiar dependia mais da centralidade da corrupção e dos problemas quotidianos do que da rejeição da linha anti-Bruxelas. Nesta leitura, a derrota de Orbán não encerraria o desafio à Comissão Europeia, mas antes empurraria a direita a procurar uma liderança alternativa no continente, com o Rassemblement National já a olhar para as eleições presidenciais francesas de 2027.