“Criaram falsas esperanças”, disse diplomata citado pelo jornal
As esperanças da Ucrânia de uma adesão acelerada à União Europeia sofreram um revés durante uma reunião em Bruxelas entre embaixadores dos países membros e o chefe de gabinete do Presidente da Comissão Europeia, Bjorn Seibert.
De acordo com a edição europeia do portal “Politico”, vários Estados-membros rejeitaram a proposta da Comissão de “alargamento inverso”, um modelo que envolveria primeiro a entrada formal na UE e depois a integração progressiva nas políticas e benefícios da União. A recusa das capitais bloqueia efectivamente a hipótese de acelerar a adesão de Kiev até 2027 e confirma a preferência pela abordagem meritocrática tradicional baseada no cumprimento dos procedimentos e critérios de adesão. “Criaram falsas esperanças”, disse um diplomata citado pelo jornal, acrescentando que a ideia representa “um fracasso imediato”. A questão poderá também emergir nas conclusões do Conselho Europeu de 19 e 20 de Março, cujos primeiros projectos – que ontem começaram a circular – apoiam a manutenção do actual quadro no que diz respeito às políticas de alargamento. Ao mesmo tempo, permanece aberta a disputa sobre o pacote de empréstimos de cerca de 90 mil milhões de euros destinado à Ucrânia, prejudicado pelo veto da Hungria e ligado às tensões sobre o oleoduto da Amizade (Druzhba), danificado por alguns bombardeamentos e ainda parado, mas sobre o qual Kiev está a atrasar as inspeções solicitadas pela Hungria e pela Eslováquia. Segundo fontes diplomáticas, vários Estados-membros pressionaram Kiev para permitir as verificações técnicas, mas a Ucrânia afirma que precisa de tempo para avaliar os danos às infra-estruturas. O tema também foi abordado num telefonema ocorrido há dois dias entre o presidente da Comissão Úrsula von der Leyen e o presidente ucraniano Volodimir Zelensky.