O caso faz parte da rivalidade mais ampla entre os Estados Unidos e a China
O governo do Panamá ordenou a ocupação dos terminais portuários de Balboa e Cristobal, localizados nas entradas do Canal do Panamá, na sequência de uma decisão final do Supremo Tribunal que declarou inconstitucional a concessão detida pela empresa de Hong Kong Ck Hutchison Holdings. O decreto autoriza a Autoridade Marítima do Panamá a tomar posse das instalações por “motivos de interesse social urgente”, incluindo todos os bens móveis – guindastes, veículos, sistemas informáticos e software – dentro e fora das instalações. A empresa disse que encerrou as operações após a chegada de funcionários do governo, que teriam ameaçado com ações criminais caso não cooperassem.
O caso faz parte da rivalidade mais ampla entre os Estados Unidos e a China, com o Panamá a acabar no centro das tensões depois do ex-presidente Donald Trump ele acusou Pequim de “administrar” o Canal. Ck Hutchison deveria vender os dois portos a um consórcio que incluía a empresa de investimentos norte-americana BlackRock, mas a intervenção do governo chinês bloqueou a operação. No mês passado, o Supremo Tribunal do Panamá anulou a lei que aprovou o contrato de concessão da Panama Ports Company, subsidiária da CK Hutchison, invalidando também a prorrogação concedida em 2021 e privando as operações portuárias de base jurídica. A empresa rejeitou a medida, alegando não ter recebido qualquer compensação por décadas de investimentos.
O governo do Panamá garantiu a continuidade das atividades e a proteção dos empregos, anunciando que a Apm Terminals, subsidiária do grupo dinamarquês AP Moller-Maersk, assumirá temporariamente a gestão dos terminais enquanto se aguarda uma nova concessão. Enquanto isso, CK Hutchison iniciou uma arbitragem contra o Panamá sob as regras da Câmara de Comércio Internacional e ameaçou com ação legal contra a APM Terminals se esta operar a concessão. O grupo dinamarquês respondeu que não era parte no litígio.