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O Supremo Tribunal contra a reforma da justiça, Nordio: Blasfêmia ao dizer que prejudica a independência das vestes

O Guardião dos Selos deixou claro que se o povo rejeitar a reforma, “permaneceremos no nosso lugar e respeitaremos a sua decisão”

É um embate entre o ministro Carlos Norte e os magistrados do Tribunal de Cassação sobre a reforma da justiça, que será submetida ao referendo confirmativo de 22 a 23 de Março. A pergunta e a resposta ocorreram durante a inauguração do Ano Judiciário que decorreu no Palácio da Justiça na Piazza Cavour em Roma na presença do Presidente da República Sérgio Mattarella. Estiveram presentes na cerimónia, entre outros, o Presidente da Câmara, Lorenzo Fontenao presidente do Senado, Ignácio La Russae o subsecretário da Presidência do Conselho, Alfredo Mantovanoe o Presidente do Tribunal Constitucional, Giovanni Amoroso. O primeiro presidente do Tribunal de Cassação, Pasquale D’Ascolaobservou que a preocupação do poder judicial “visa garantir que a independência e a autonomia da jurisdição se mantenham efectivas como pedra angular do sistema constitucional”, apelando assim a que “um clima de respeito mútuo e de colaboração efectiva entre as instituições seja tenazmente cultivado”.

Por seu lado, a resposta do ministro não tardou a chegar: “Considero uma blasfémia argumentar que esta reforma tende a minar a independência do poder judicial”. Nordio, durante a sua intervenção, sublinhou como a independência do poder judicial é “um princípio inegociável que há mais de meio século, num momento muito doloroso da República, me levou a fazer parte daquela nobre ordem à qual ainda sinto que pertenço”. E olhando para o pós-referendo, o Guardião dos Selos esclareceu que se o povo rejeitar a reforma, “continuaremos firmes na nossa posição respeitando a sua decisão. Se, pelo contrário, as confirmarem, no dia seguinte iniciaremos um diálogo com o poder judicial, com o mundo académico, com os advogados para desenvolver as regras de implementação necessárias no perímetro da inovação”.

Segundo o procurador-geral Pietro Gaetaem vez disso, “o confronto, porque se apresenta como tal aos olhos dos cidadãos, entre juízes e políticos atingiu níveis inaceitáveis ​​para um país que tradicionalmente se considera o berço do liberalismo jurídico”. Pouco antes, o vice-presidente do Conselho Superior da Magistratura Judicial, Fábio Pinellisublinhou que “a necessidade de harmonia deve ser afirmada com ainda mais força num período, como o que vivemos, caracterizado por tensões, um período em que, portanto, é verdadeiramente necessário que os actores institucionais respeitem aquele princípio de colaboração leal que espelha o princípio da separação de poderes, constituindo a sua declinação concreta para os muitos casos em que os poderes divididos têm áreas de contacto e interferência mútua”. A deslegitimação mútua, reiterou Pinelli, “enfraquece as instituições e quebra o pacto de confiança entre elas e os cidadãos que, desorientados, podem perguntar-se se devem ou ainda podem confiar naqueles que decidem, em diversas capacidades, o seu destino, tanto com a introdução de novas regras, mesmo de nível constitucional, como com a aplicação e interpretação da lei, no exercício da jurisdição.

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.