“Este projeto não é um simples acordo operacional, mas um grande projeto estratégico, planeado com extremo cuidado e baseado em estudos técnicos e económicos aprofundados”, disse al Saqoutari.
A pedra angular da iniciativa é o tráfego de contentores. “A actividade operacional incidirá exclusivamente no segmento de contentores, tendo em conta que o porto de Misurata gere aproximadamente 65 por cento do comércio contentorizado que entra na Líbia”, observa o presidente da Zona Franca, definindo o acordo como “a maior parceria público-privada fora do sector petrolífero”. Um resultado que, sublinha, é “fruto de mais de um ano de negociações e discussões com parceiros globais”, culminando na assinatura que “marca o início de uma nova fase de trabalho e desenvolvimento”.
Líbia: acordo assinado com MSC e Al Maha para o terminal de contentores de Misurata, Dabaiba recebe Tajani
A nível técnico, os números confirmam a trajetória de crescimento. “Em 2025 o porto da Zona Franca de Misurata movimentou cerca de 685 mil TEU, um aumento de 22 por cento face a 2024, e acolheu 1.376 navios e petroleiros de diversas dimensões”, lembra Al Saqoutari. No mesmo ano, acrescenta, «registamos um recorde histórico na movimentação de mercadorias diversas, igual a 972 mil toneladas, e um novo máximo nos cereais, com 1,44 milhões de toneladas». Com o novo terminal totalmente operacional, a capacidade deverá crescer rapidamente: “Na primeira fase atingirá 1,5 milhões de TEUs, e depois aumentará para cerca de 2,5 milhões de TEUs na segunda fase”.
A visão subjacente continua a ser a de fazer de Misrata uma articulação entre o Mediterrâneo e a África. “Sem dúvida, esta parceria representa um dos pilares fundamentais para concretizar esta visão”, afirma o presidente da Zona Franca. “Ajudará a ligar o porto a novas rotas marítimas internacionais e a consolidar o seu papel como plataforma central na bacia do Mediterrâneo, com o objectivo de torná-lo a principal porta de entrada para África, especialmente para os países sem litoral.”
Um papel fundamental é atribuído ao envolvimento do grupo marítimo ítalo-suíço Mediterranean Shipping Company, através da sua subsidiária Terminal Investment Limited. “Quando falamos da MSC, estamos a falar da maior empresa de transporte de contentores do mundo, com aproximadamente 22 por cento do mercado global, uma frota de mais de mil navios e uma capacidade superior a 6 milhões de TEUs”, observa Al Saqoutari. “Esta dimensão representa uma mais-valia significativa para Misurata, em termos de eficiência operacional, expansão das ligações marítimas e reforço da competitividade”. Ao lado de Til, continua, “também participa a Al Maha Capital Partners, empresa especializada em investimentos em infraestruturas”, completando uma parceria que visa inserir Misurata “no mapa dos principais portos globais avançados”.
A presença na cerimónia de assinatura de altas autoridades líbias e internacionais, em particular da Itália e do Qatar, é lida como um sinal político e económico. “A participação internacional de alto nível reflete indicadores de estabilidade e abertura e fortalece a confiança dos investidores”, afirma Al Saqoutari, ao mesmo tempo que sublinha que “o sucesso é um processo cumulativo que requer tempo, continuidade e estabilidade”. Olhando para os próximos cinco a dez anos, as perspectivas são ambiciosas. “Se a estabilidade política e a segurança forem alcançadas, a Líbia verá uma melhoria significativa no seu desempenho económico e Misrata estará no centro desta transformação”, conclui o presidente da Zona Franca. “Aspiramos transformar o porto numa plataforma de intercâmbio regional, integrada com redes terrestres e, no futuro, ferroviárias, e com um ecossistema de indústrias e serviços logísticos de valor acrescentado”. Um caminho que, segundo Al Saqoutari, poderá contribuir “para a diversificação da economia nacional, para a criação de empregos e para o reforço da presença da Líbia nas cadeias de abastecimento e no comércio global”.
