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O Irã lembra os embaixadores de Berlim, Paris e Londres para consultas

A decisão, lê em uma nota, responde às “ações irresponsáveis” tomadas pelos três países europeus, que em 28 de agosto passado ativaram o mecanismo “Snapback” para a restauração automática de sanções internacionais

O Ministério das Relações Exteriores do Irã anunciou a referência a Teerã de seus embaixadores na Alemanha, França e Reino Unido para consultas. A decisão, lê uma nota, responde às “ações irresponsáveis” tomadas pelos três países europeus (E3), que em 28 de agosto passado ativou o mecanismo “Snapback” para a restauração automática de sanções internacionais contra a República Islâmica, revogada após a assinatura do acordo nuclear de 2015 (JCPOA). A medida ocorre após a votação do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que rejeitou uma proposta apresentada pela Rússia e pela China – parceiros estratégicos de Teerã – destinados a estender o raio das sanções. Comentando sobre o resultado, o ministro das Relações Exteriores Abbas Araghchi Ele definiu os esforços da E3 e dos Estados Unidos “nulos e desprovidos de efeito”, alegando que a situação atual “é o resultado do retiro unilateral de Washington do JCPOA e o fracasso em cumprir as obrigações européias”.

Segundo Araghchi, o Irã “estava totalmente envolvido no acordo, mesmo após a retirada dos EUA” e qualquer tentativa de reintroduzir as sanções “deve ser contrastada”. O chefe da diplomacia reiterou que Teerã “nunca cederá a ameaças ou pressões” e que a comunidade internacional deve assumir a responsabilidade de preservar a validade dos acordos multilaterais. Já em 19 de setembro, o Conselho de Segurança rejeitou um projeto de resolução que pretendia eliminar definitivamente as sanções econômicas relacionadas ao programa nuclear iraniano. A votação está no final de um processo de 30 dias iniciado no final de agosto pela Troika européia, com base na Resolução 2231 da ONU, que previa a reintrodução automática das medidas, a menos que um acordo até domingo, 28 de setembro. As autoridades iranianas também sublinham que o voto do conselho corre o risco de criar “um precedente perigoso”, como observado por Araghchi: “Se os acordos puderem ser violados à vontade, nenhuma nação pode confiar em compromissos internacionais”. O dossiê, portanto, continua sendo um dos mais delicados do cenário internacional, com o risco de uma escalada adicional entre Teerã e a capital ocidental perto do vencimento de amanhã.

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.