Se você achou que a ficção científica só existia nas telas do cinema, prepare-se: a corrida dos robôs humanoides está atropelando a fronteira entre o real e o imaginário – e, desta vez, a Unitree Robotics decidiu acelerar, literalmente, esse processo.
Cada vez mais rápido, cada vez mais humano?
Na disputa mundial pela supremacia dos robôs humanoides, empresas de todo o planeta se desafiam a criar máquinas com habilidades que fariam até os androides de ficção ficarem com inveja. Alguns apostam na destreza cirúrgica, outros numa inteligência artificial de dar nó no cérebro e há aqueles, como a Unitree Robotics, que decidiram simplesmente pisar fundo no acelerador.
A Unitree Robotics, com sede na China, ficou conhecida no início por desenvolver adoráveis (e um pouco inquietantes?) cães robôs. Mas em dezembro passado, lançou seu primeiro humanoide de verdade, o Unitree H1. O H1 pesa 47 kg, mede cerca de 1,8 m e foi projetado para transportar até 30 kg. Nada mal para um “novato” com cara de atleta olímpico!
A evolução que corre: conheça o Evolution V3.0
Recentemente, a empresa divulgou, toda orgulhosa, uma nova versão do seu robô, chamada Evolution V3.0. O destaque? Simples: atingir velocidades de caminhada – ou melhor, corrida – dignas de Livro dos Recordes.
- Segundo a Unitree, a Evolution V3.0 é capaz de se mover a 3,3 m/s (ou 11,9 km/h).
- Esse número coloca o robô bem à frente do já badalado Optimus, da Tesla, que não vai além de 0,6 m/s.
- Para quem gosta de comparações: um ser humano, caminhando apressado (sem dar um sprint), atinge em média 10 km/h. Ou seja, o robô já pode ir buscar o pão e ainda chegar antes de você.
Esse feito faz com que o recorde anterior, pertencente ao Atlas da Boston Dynamics, pareça coisa do passado: o Atlas atingiu 9 km/h (ou 2,5 m/s) graças a atuadores hidráulicos de última geração. O robô Phoenix, da Sanctuary, também utiliza esse tipo de atuador para dar show em destreza. Mas ambos ficaram para trás na questão da velocidade pura.
Porém, a medalha do sprint robótico tem nuances: em 2022, o Cassie, da Agility Robotics, que só tem pernas e uma “cabeça” (sem tronco nem braços), correu 100 metros em apenas 24,73 segundos – média de 4 m/s, ou 14,4 km/h. Como Cassie não é considerado tecnicamente um humanoide completo, seu trunfo permanece meio fora da disputa oficial.
Movimentos que vão além da corrida
A Unitree não quis que seu Evolution V3.0 fosse apenas um velocista. Ele também é um showman! Este robô não só corre: ele dança, sobe e desce escadas girando sobre si mesmo, e até salta em alturas dignas de um ser humano. É verdade que, ao pousar dos saltos, ele às vezes dá aquela “rateada” para recuperar o equilíbrio – quem nunca?
Para todas essas acrobacias, o robô conta com:
- Motores elétricos M107 desenvolvidos pela própria Unitree.
- Uma câmera Intel RealSense D435i, com visão de 360°, para não perder nenhum detalhe do ambiente.
E não pense que a dança robótica é exclusividade do Evolution V3.0. Em dezembro do ano passado, a Tesla também soltou uma gravação do seu Optimus Gen-2 descendo até o agachamento e mostrando rebolado – a concorrência está atenta!
Quanto custa ter um velocista robótico em casa?
Para quem já está imaginando um Evolution V3.0 servindo de personal trainer ou animador de festas, saiba que a brincadeira não sai barata. O preço sugerido vai de 15.000 a 90.000 dólares. Não se assuste: ser um dos primeiros a ter a companhia de um robô de última geração nunca foi para qualquer bolso.
Conclusão: estamos prontos para correr lado a lado?
Gigantes como Unitree Robotics estão transformando debates dignos de ficção em surpresas tecnológicas concretas. Se por um lado essas máquinas impressionam nos quesitos velocidade, coordenação e até no ritmo de dança, cabe a nós perguntar: estamos prontos para partilhar as pistas – e quem sabe, as pistas de dança – com nossos “amigos” humanoides?