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Níger: Estado Islâmico reivindica responsabilidade pelo ataque ao aeroporto de Niamey

O líder Tchiani visitou a base aérea e elogiou a “coragem” demonstrada pelos soldados nigerianos e russos

O Estado Islâmico assumiu a responsabilidade pelo ataque ao aeroporto de Niamey, capital do Níger, durante a noite entre quarta e quinta-feira. É o que lemos num comunicado divulgado nos canais de propaganda do grupo e reportado pelo Site Intelligence Group, que monitoriza as atividades e comunicações jihadistas em todo o mundo. O Estado Islâmico descreveu o ataque como um “ataque surpresa e coordenado” que infligiu “danos significativos”, sem fornecer mais detalhes. O Estado Islâmico na Província do Sahel (ISSP), também conhecido como Estado Islâmico no Grande Sahara (ISGS), tem sido associado a ataques de grande repercussão no Níger nos últimos meses, matando mais de 120 pessoas em ataques direccionados na região de Tillaberi em Setembro e raptando um piloto norte-americano em Outubro. A junta militar do Níger disse num comunicado que os agressores chegaram em motocicletas e que as forças de segurança repeliram rapidamente o seu avanço. Nos confrontos que se seguiram, quatro soldados ficaram feridos. As perdas materiais no aeroporto incluíram um depósito de munições que pegou fogo, disse o governo, e vários aviões civis que foram danificados.

De acordo com o que foi anteriormente noticiado pelo Ministério da Defesa Nacional do Níger, o ataque perpetrado durante a noite entre quarta e quinta-feira na base aérea 101 do Aeroporto Internacional de Niamey, que acolhe a frota da Força Aérea do Níger, foi perpetrado por 20 atacantes, descritos como “mercenários”, dos quais nove foram mortos e 11 foram detidos. Uma reportagem da televisão estatal “RTN” afirmou também que um cidadão francês estava entre os agressores mortos, sem fornecer mais detalhes, enquanto quatro soldados nigerianos ficaram gravemente feridos. O líder da junta militar do Níger, Abdourahamane Tchianivisitou entretanto a base aérea e elogiou a “coragem” demonstrada pelos soldados nigerianos e russos que, graças à sua “pronta reacção”, conseguiram “derrotar o inimigo em 20 minutos” após os primeiros tiros disparados, bem como acusar os presidentes de França, Benin e Costa do Marfim, respectivamente Emmanuel Macron, Patrice Talon E Alassane Ouattarade serem os “patrocinadores” dos supostos mercenários responsáveis ​​pelo ataque. “Já os ouvimos ladrar o suficiente. Deixem-nos, por sua vez, preparar-se para nos ouvir rugir”, disse Tchiani, sem fornecer mais detalhes. De acordo com um comunicado do Ministério da Defesa Nacional, o ataque causou extensos danos materiais a aeronaves, nomeadamente a duas aeronaves da empresa Asky e uma da Air Cote d’Ivoire. No entanto, não foram fornecidos detalhes sobre os danos à secção militar do aeroporto. Entretanto, a agência nacional de aviação civil, por seu lado, indicou que as operações aeroportuárias “prosseguem normalmente”.

Conforme noticiado ontem pela emissora “Sky News Arabia”, citando fontes nigerianas bem informadas, o ataque foi uma operação direcionada contra um carregamento de urânio contestado que estava no aeroporto na altura e provavelmente se dirigia para a Rússia. A França terá alegadamente resistido, alegando que o urânio pertencia à empresa Orano, que foi forçada a abandonar o Níger após o golpe de Estado de Julho de 2023. Segundo as mesmas fontes, as autoridades de Niamey estiveram em alerta máximo durante duas semanas, depois de no passado dia 16 de Janeiro, oficiais da Força Aérea se terem reunido com os chefes das agências de segurança na sequência de relatórios de inteligência de um ataque iminente por um comando do Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos (Jnim), que se acredita estar escondido perto do aeroporto. Segundo fontes citadas pela agência de notícias “Africa Initiative”, o ataque foi repelido pelas forças nigerianas juntamente com instrutores russos presentes no país. Segundo as mesmas fontes, os confrontos começaram por volta das 02h30 e duraram cerca de uma hora, com intensos tiroteios dentro da área da base. Segundo fontes citadas pela emissora “RFI”, o tiroteio ocorreu na área do aeroporto de Diori-Hamani, que acolhe a base 101 da Força Aérea Nigeriana, uma base de drones e o quartel-general da Força Unificada Anti-Jihadista criada pelas juntas militares do Níger, Mali e Burkina Faso. A identidade dos agressores não está clara neste momento, mas as imagens que circulam nas redes sociais mostram rastos leves no céu, um sinal de que as defesas antiaéreas provavelmente foram ativadas, talvez para conter um ataque de drones.

O Ministro da Defesa, Guido Crosettocomentou o ataque e está “acompanhando as atualizações relacionadas com a máxima atenção”. “A prioridade absoluta continua a ser a segurança do pessoal italiano e dos nossos soldados da Missão de Apoio Italiana no Níger (Misin), que não parecem ter estado envolvidos de forma alguma. Estou em contacto constante com o Chefe do Estado-Maior da Defesa, General Portolanocom o comandante do Comando Operacional das Forças Conjuntas, General do Exército Iannucci, bem como com a Agência Externa de Informação e Segurança (Aise) para monitorar a situação”, disse Crosetto em nota do ministério. O chanceler, Antonio Tajanifalando à imprensa em Bruxelas, disse que quatro soldados italianos presentes em Niamey foram imediatamente protegidos após o ataque. Segundo relatou o ministro, um dos militares estava de saída, enquanto os outros três acabavam de acompanhar o colega. Após o ataque, como não foi possível retornar à base onde atua o contingente italiano, os quatro foram levados de volta à embaixada italiana, onde estão em segurança. Tajani sublinhou que em contextos caracterizados por elevada instabilidade do ponto de vista da segurança, os planos de protecção e procedimentos de emergência estão sempre activos, preparados precisamente para garantir a segurança do pessoal italiano no estrangeiro.

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.