A conversa telefónica com o secretário de Estado dos EUA teria levado ao cancelamento da cimeira prevista entre Vladimir Putin e Donald Trump
O Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrovteria “caído em desgraça” no Kremlin após um telefonema descrito como “desastroso” com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubioo que teria levado ao cancelamento da cimeira planeada entre Vladímir Putin E Donald Trump. Lavrov, de 76 anos, chefe da diplomacia russa há mais de vinte anos, não participou na histórica reunião do Conselho de Segurança russo presidida por Putin em 5 de novembro, na qual foi discutida a retoma dos testes nucleares, suspensos desde 1990. Segundo fonte citada pelo “Kommersant”, o ministro esteve “deliberadamente ausente”, o único entre os membros permanentes do Conselho. O chefe da diplomacia russa também perdeu o papel de chefe de delegação na próxima cimeira do G20: a delegação russa será liderada pelo vice-chefe de gabinete da administração presidencial, Maksim Oreshkin, conforme anunciou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov. A decisão, especificou Peskov, foi tomada pessoalmente por Putin, que novamente este ano não participará na cimeira, marcada na África do Sul, país signatário do Estatuto de Roma e obrigada a prendê-lo com base no mandato do Tribunal Penal Internacional.
Diplomata veterano e ex-representante russo no Conselho de Segurança da ONU, Lavrov conversou com Rubio no dia 21 de outubro para definir os detalhes da cúpula Putin-Trump marcada para Budapeste. No entanto, o chefe da diplomacia dos EUA teria recomendado que Trump cancelasse a reunião. O cancelamento foi seguido pelo anúncio de sanções dos EUA contra a Rosneft e a Lukoil, as primeiras desde o regresso de Trump à Casa Branca. Segundo fontes, a cimeira foi cancelada devido à “posição intransigente” do Kremlin, que rejeitou um cessar-fogo na Ucrânia. Após as conversações fracassadas, Lavrov reiterou a retórica oficial de Moscovo, chamando Kiev de “um regime nazi” e acusando o Ocidente de querer “reabastecer” as Forças Armadas Ucranianas com armas para realizar “ataques terroristas contra a infra-estrutura civil russa”.