O comunicado divulgado pelo Ministério do Interior do Governo de Unidade Nacional (Gun) apela explicitamente ao combate ao “crime organizado e transnacional”, além dos “crimes penais”
Segundo a nota de Trípoli, as conversações centraram-se em vários eixos operacionais, incluindo “a luta contra a imigração irregular e a redução do fluxo de migrantes ilegais”, mas também na “utilização da experiência italiana nos sectores do trabalho de segurança”. A declaração apela explicitamente ao combate ao “crime organizado e transnacional”, bem como aos “crimes criminosos”, indicando a “troca de informações entre as duas partes” como uma das ferramentas centrais para tornar mais eficaz a acção conjunta. Ambas as delegações, prossegue a nota da parte líbia, sublinharam “a importância de reforçar a cooperação em segurança”, considerada essencial para “apoiar a estabilidade e enfrentar desafios partilhados”. Uma passagem que, na narrativa de Trípoli, enquadra o dossiê da migração numa estratégia mais ampla de segurança interna e regional, e não como uma questão isolada ou exclusivamente humanitária. Em comparação com a comunicação italiana, que insistia no papel da Líbia como país de trânsito e na necessidade de um maior envolvimento da União Europeia no apoio operacional, a versão de Trípoli destaca a dimensão estrutural da parceria com Roma, recordando a transferência de competências, a coordenação operacional e a luta contra as redes criminosas que operam ao longo das rotas migratórias e através da fronteira. Neste quadro, o diálogo com a Itália é apresentado por Trípoli como parte de uma abordagem mais ampla, que visa “fortalecer a cooperação em segurança” e “enfrentar desafios comuns”, indo além da gestão contingente dos fluxos migratórios.