O prefeito de Nova York sublinhou a necessidade de se concentrar em uma agenda concreta para enfrentar a emergência do custo de vida
O prefeito eleito de Nova York, Zohran Mamdani, declarou hoje, 23 de novembro, que ainda considera o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um “fascista” e um “déspota”, ao mesmo tempo que define a primeira reunião que teve lugar na sexta-feira, 21 de Novembro, na Casa Branca, como “produtiva”. Mamdani explicou ao “Nbc News” que o encontro foi uma oportunidade para ele buscar convergência na redução do custo de vida dos nova-iorquinos, apesar dos meses de amargas controvérsias e trocas de acusações durante a campanha eleitoral. No primeiro encontro cara a cara entre os dois, Trump e Mamdani adotaram um tom invulgarmente cordial. O presidente disse estar “torcendo” pelo prefeito eleito, enquanto Mamdani falou de uma reunião “construtiva”.
Entrevistado pelo programa “Conheça a Imprensa”, Mamdani reiterou que ainda acredita que o presidente é fascista, acrescentando que apreciou o facto de, na conversa, ambos não terem evitado os pontos de divergência. Ao mesmo tempo, sublinhou a necessidade de apostar numa agenda concreta para fazer face à emergência do custo de vida que, na sua opinião, é a principal preocupação dos eleitores: “Não entro na Sala Oval para fazer um gesto simbólico, mas para obter resultados para Nova Iorque”, disse. Mamdani disse ter partilhado com Trump os testemunhos de vários residentes do Bronx e Queens que, ao votarem no presidente em 2024, teriam citado o custo de vida como o principal motivo da sua escolha. O autarca eleito explicou que o tema também foi central na conversa na Casa Branca, recordando as mesmas promessas feitas por Trump durante a campanha para o seu segundo mandato.
Mamdani revelou ainda que discutiu com Trump a possibilidade de a Casa Branca enviar a Guarda Nacional para a cidade, como já aconteceu noutras cidades governadas pelos democratas nos últimos meses. O prefeito eleito disse ter garantido ao presidente que a segurança pública pode ser garantida pelo NYPD, reiterando sua total confiança neste último. Trump, hoje questionado pelos jornalistas, respondeu: “Se ajudar, nós o faremos. Neste momento outras cidades precisam mais, mas se ajudar Nova Iorque, nós interviremos”. No plano fiscal, Mamdani confirmou a sua intenção de aumentar os impostos sobre os contribuintes com rendimentos mais elevados para financiar as principais medidas do seu programa, ao mesmo tempo que especificou que será necessário o apoio da governadora Kathy Hochul e da Assembleia estadual. O autarca eleito disse estar aberto a alternativas válidas, desde que garantam a mesma receita.
Mamdani também falou sobre as relações com a liderança democrata nacional. Durante a campanha eleitoral, o apoio dos líderes partidários chegou apenas nos momentos finais: o líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, anunciou seu apoio menos de duas semanas antes da votação, enquanto o líder da maioria no Senado, Chuck Schumer, ele nunca apoiou isso oficialmente. Apesar disso, Mamdani disse que apoiaria Jeffries para liderar a Câmara se os democratas recuperassem a maioria em 2026. Por fim, o prefeito eleito relembrou o telefonema com o ex-presidente Barack Obama após a vitória, explicando que a conversa centrou-se na importância de “inspirar esperança, mantê-la ao longo do tempo e transformá-la em resultados concretos”.