A operação foi concluída no fim de semana e resultou na apreensão de 2 mil milhões de ariares (cerca de 385 mil euros)
Os serviços de inteligência de Madagascar afirmam ter frustrado uma nova tentativa de golpe contra os militares que tomaram o poder no mês passado após a deposição do presidente Andry Rajoelina. Falando em conferência de imprensa em Antanimora, sul do país, o director-geral dos serviços Ruffin Lebiria citou, em apoio à notícia, “informações cuidadosamente verificadas” sobre um grupo de indivíduos suspeitos de planejar um ato de desestabilização contra a junta no poder. Com base nessas informações, foi expedido mandado de busca para uma residência cujo endereço e proprietário não foram divulgados para não comprometer a investigação em andamento.
A operação foi concluída no fim de semana e resultou na apreensão de 2 mil milhões de ariares (cerca de 385 mil euros) em dinheiro, grande parte do qual teria vindo de um banco, bem como um montante não especificado de moeda estrangeira. No local também foram encontradas diversas armas: seis fuzis, incluindo três pistolas automáticas recentes e espingardas. “Dada a quantidade e tipo de armas utilizadas, temos a certeza de que estas se destinavam à preparação de um golpe de Estado”, concluiu Lebiria. Dois cidadãos estrangeiros foram detidos em conexão com o caso, mas a sua nacionalidade permanece confidencial neste momento.
Esta não é a primeira vez que Madagáscar enfrenta tentativas inconstitucionais de tomada do poder. Além do recente acontecimento que viu um departamento especial do exército tomar o poder, em 2021 foi frustrada uma tentativa de assassinato contra Rajoelina envolvendo cidadãos de outros países. Nessa ocasião, entre os 12 militares detidos no âmbito do comando estavam dois ex-oficiais franceses, o franco-malgaxe Paul Maillot Rafanoharana e o francês Philippe Marc François, ambos formados na Escola Superior Militar de Saint-Cyr e com uma atividade empresarial em comum. Nessa conjuntura, também foi detido na ilha o diretor-geral da Madagascar Oil, Russell Kelly, empresário de nacionalidade americana que geria as atividades da empresa detentora dos maiores recursos petrolíferos do país, em funcionamento desde 2004. Segundo fontes de “Jeune Afrique”, nessa ocasião os comandos mercenários contratados para o plano, habituados a participar em operações desestabilizadoras em África, uma vez entrados em Madagáscar teriam sido supervisionados por altos oficiais malgaxes, com uma dinâmica que guarda algumas semelhanças com aquela que em Julho de 2019 levou ao assassinato do presidente do Haiti, Jovenel Moise.