O primeiro-ministro argumentou que o governo é capaz de proteger o deserto da Líbia
As rotas utilizadas para o tráfico de migrantes irregulares no sul da Líbia são conhecidas e controladas por gangues específicas que facilitam a sua passagem. Isto foi afirmado pelo Primeiro Ministro do Governo de Unidade Nacional da Líbia, Abdulhamid Dabaiba, durante a terceira reunião ordinária do Conselho de Ministros em 2026. De acordo com o governo de Trípoli, Dabaiba alegou que 27.000 migrantes asiáticos tinham entrado na Líbia através de um aeroporto líbio “conhecido”, utilizando vistos em papel falsificados. O primeiro-ministro argumentou que o governo é capaz de proteger o deserto da Líbia e perguntou quem permitiu que estes migrantes o atravessassem durante tanto tempo. As declarações surgem no momento em que as autoridades de Trípoli anunciam novas medidas de controlo à entrada nos aeroportos, com particular atenção à verificação de vistos e documentos de viagem. A questão parece particularmente sensível porque a Líbia continua dividida entre sistemas administrativos e de segurança concorrentes, com procedimentos não uniformes entre o Ocidente controlado pelo Governo de Unidade Nacional e o Oriente sob a influência de autoridades paralelas.
Dabaiba criticou aqueles que, na sua opinião, tentam orientar a opinião pública acusando o Estado de querer instalar migrantes no país. O primeiro-ministro observou que estes mesmos rumores não teriam levantado a questão do assentamento de migrantes na última década. Dabaiba rejeitou as acusações feitas contra o governo e reiterou o compromisso do executivo de Trípoli em continuar os esforços para controlar as fronteiras e combater as redes de tráfico de seres humanos. O dossiê migratório voltou ao centro do debate político líbio nas últimas semanas, depois da propagação nas redes sociais de notícias – não confirmadas e reiteradamente negadas – sobre a alegada construção de alojamentos para migrantes no país. As hipóteses foram rejeitadas pelas autoridades competentes, enquanto o governo de Trípoli reiterou a sua rejeição a qualquer projecto percebido como um assentamento estável de migrantes em território líbio.