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Líbia: o navio-tanque de metano Arctic Metagaz está novamente fora de controle depois que o cabo de reboque quebrou

O navio-tanque russo Arctic Metagaz, que foi danificado no início de março ao largo da costa da Líbia, está mais uma vez fora de controlo na sequência da rutura do cabo de reboque das operações de reboque e segurança, no contexto de um agravamento acentuado das condições meteorológicas no Mediterrâneo Central. O anúncio foi feito pelo Centro de Coordenação de Busca e Resgate da Guarda Costeira da Líbia, segundo o qual a operação falhou por volta das 4 da manhã devido a ventos que atingiram entre 40 e 50 nós e ondas com mais de cinco metros de altura. Anteriormente, o navio-tanque de metano tinha sido gradualmente afastado das costas do país do Norte de África, ao largo da costa de Misurata, para reduzir os riscos para as infraestruturas energéticas e as zonas costeiras. A Guarda Costeira da Líbia lançou um apelo urgente a todos os navios e unidades marítimas para que evitem a área onde se encontra o navio russo, mantendo uma distância de pelo menos 10 milhas náuticas e exercendo a máxima cautela.

Uma fonte da companhia petrolífera estatal líbia National Oil Corporation (NOC) disse ao jornal “Al Wasat” que “ninguém pode prever o destino do navio-tanque de metano à deriva nas ondas ou determinar a direção em que os ventos o poderão empurrar”. A mesma fonte sublinhou que os últimos desenvolvimentos exigem “uma intervenção urgente por parte das autoridades competentes dos países ribeirinhos do Mar Mediterrâneo, à semelhança do compromisso das autoridades líbias, que até agora tentaram com todas as suas forças controlar o navio e afastar o perigo das costas líbias”.

Recorde-se que o metaneiro russo transporta cerca de 62 mil toneladas de gás natural liquefeito (GNL), mas o principal risco ambiental está ligado sobretudo ao combustível a bordo – cerca de 900 toneladas de gasóleo – que, em caso de fuga, seria altamente poluente para o ecossistema marinho, ao contrário do GNL que tende a evaporar rapidamente. O Arctic Metagaz foi atingido no início de março, provavelmente no contexto de operações militares ucranianas contra alvos ligados à logística energética russa no Mediterrâneo, embora não haja confirmação oficial sobre a atribuição do ataque. O episódio enquadra-se no quadro mais amplo de ações indiretas contra as cadeias de abastecimento de energia de Moscovo.

O navio Arctic Metagaz remonta à chamada “frota sombra” russa, o conjunto de unidades utilizadas para contornar ou mitigar o impacto das sanções ocidentais no comércio de energia. Este elemento complicaria quaisquer operações estruturadas de resgate ou o envolvimento de empresas internacionais especializadas na gestão e eliminação de cargas, potencialmente expostas a riscos de sanções. A presença de um risco ambiental concreto poderia, no entanto, mitigar estes constrangimentos, tornando mais provável que uma intervenção técnica coordenada, em derrogação ou com cobertura específica, prevenisse um acidente com impactos na segurança marítima e no ecossistema do Mediterrâneo central.

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.