Segundo relatos, as partes estão se preparando para o confronto americano, tentando fortalecer suas respectivas posições políticas e militares no terreno.
Uma nova rodada de diálogo entre representantes do governo de unidade nacional liderado pelo primeiro-ministro é esperada em Washington Abdelhamid Dabaiba e o campo político-militar do leste da Líbia ligado ao general Khalifa Haftar. A informação foi noticiada pelo portal líbio “Fawasel”, segundo o qual o confronto nos Estados Unidos se seguiria a duas reuniões preliminares já realizadas nas últimas semanas em Roma e Paris. Segundo relatos, as partes estão a preparar-se para o confronto americano, tentando fortalecer as suas respectivas posições políticas e militares no terreno. Em particular, nas últimas semanas, os contactos e consultas intensificaram-se no oeste da Líbia, especialmente entre Trípoli, Misrata, Tajoura e Zawiya, com o objectivo de coordenar posições entre actores políticos e figuras militares consideradas influentes no equilíbrio local.
Ainda segundo o portal, estas reuniões teriam envolvido representantes de segurança e comandantes locais, numa tentativa de resolver divergências surgidas no passado e consolidar a base de apoio político e militar em torno do governo de Trípoli tendo em vista as negociações. A nível político, o executivo liderado por Dabaiba também aparentemente está a trabalhar para ampliar o seu apoio institucional e territorial, também através de contactos com atores do sul da Líbia, com a hipótese do seu possível envolvimento na estrutura governamental.
No campo oriental ligado a Haftar, contudo, os movimentos parecem mais limitados por enquanto. Segundo observadores citados por “Fawasel”, nos últimos dias a atenção centrou-se sobretudo nos dossiês humanitários e de direitos humanos, também numa tentativa de responder às críticas da comunidade internacional. O possível diálogo em Washington é interpretado por vários analistas como uma tentativa de relançar um canal direto entre as duas principais áreas de poder da Líbia, após meses de impasse político e institucional. Segundo fontes políticas citadas pelo portal, entre as questões que poderão surgir na discussão estaria também uma possível reorganização das instituições executivas na próxima fase da transição. No entanto, permanece aberta a possibilidade de, antes do início das negociações, uma das partes tentar novas medidas políticas ou militares para reforçar a sua posição negocial.