“Duzentos anos são muito mais que um aniversário, a relação entre os dois países não é produto de uma situação ou de uma época política”
A força das relações entre Itália e Marrocos “não se mede apenas pelos resultados já alcançados, mas também pela confiança com que olhamos juntos para o futuro”. Isto foi afirmado pelo embaixador italiano em Marrocos, Pasquale Salzanoencerrando esta noite no teatro Mohammed V em Rabat as celebrações do 80º aniversário da República Italiana. A noite selou uma viagem que nos últimos dias passou por Tânger, onde o 2 de junho foi celebrado a bordo da fragata Virginio Fasan da Marinha, Casablanca e Marrakech, envolvendo instituições, empresas, comunidades italianas e o mundo da cultura. No seu discurso, o embaixador italiano Pasquale Salzano recordou como o 80.º aniversário da República Italiana surge no rescaldo das comemorações do bicentenário do início das relações diplomáticas entre Itália e Marrocos, sublinhando que “duzentos anos são muito mais que um aniversário” e que a relação entre os dois países “não é produto de uma conjuntura ou de uma época política”.
O embaixador italiano em Rabat destacou como a relação entre Itália e Marrocos assume hoje uma “particular importância no contexto das transformações que afectam o Mediterrâneo, a África e a Europa”, recordando o papel do Marrocos contemporâneo. Salzano definiu o Reino Alauita como “um país mediterrâneo, africano e atlântico”, sublinhando a capacidade de Marrocos de “combinar identidade e abertura internacional e a crescente integração entre as duas margens do Mediterrâneo”. Referindo-se às relações entre os dois países, Salzano lembrou que “quanto mais importante é uma relação, mais exige escuta, conhecimento mútuo e capacidade de compreensão mútua”, sublinhando como Itália e Marrocos têm “muitas razões para continuarem a conhecer-se e a compreenderem-se melhor”.
O diplomata italiano observou ainda que a solidez de uma relação de dois séculos “não reside na ausência de diferenças de sensibilidade ou de perspectiva, mas na capacidade de manter o diálogo aberto e de continuar a construir juntos olhando para o futuro”. Pasquale Salzano destacou ainda “a crescente complementaridade entre as economias dos dois países”, insistindo na forma como Itália e Marrocos são hoje chamados a “construir cadeias de abastecimento, competências e inovação partilhadas” num contexto internacional cada vez mais competitivo e no contexto das grandes transformações que afectam o Mediterrâneo e África. “Itália e Marrocos não apenas comercializam mais, mas produzem cada vez mais juntos”, disse Salzano, especificando que “o verdadeiro desafio não é comercializar mais, mas criar mais valor juntos”.
Uma passagem particular foi dedicada aos jovens, à formação e difusão da língua italiana em Marrocos. Dirigindo-se aos estudantes presentes na sala, Salzano lembrou que “nenhuma infraestrutura é mais importante do que uma pessoa que opta por aprender a língua de outra”. Durante a noite, foi também recordada a mensagem de saudações enviada pelo Rei Mohammed VI de Marrocos ao Presidente da República Sergio Mattarella por ocasião do Dia da República Italiana. A celebração terminou com o concerto “Deux rives, une seule voix” (Dois bancos, uma voz), organizado pela própria embaixada italiana e pelo Instituto Cultural Italiano de Rabat com a participação da soprano Anna Cimmarrusti e do tenor Lorenzo Martelli.