O projeto legislativo atraiu críticas tanto em Israel como no exterior, inclusive do judiciário, bem como de defensores da democracia e da liberdade de imprensa
O Knesset, parlamento unicameral de Israel, aprovou em primeira leitura a proposta de transformação da chamada Lei “Al Jazeera” – que permite o encerramento de meios de comunicação estrangeiros em Israel sob certas condições – em legislação permanente, com 50 votos a favor e 41 contra. Isto foi aprendido no jornal israelense “The Times of Israel”. O projeto de lei – apresentado pelo deputado israelense do partido Likud, Ariel Kallner – passa agora para o comitê de segurança nacional, antes da segunda e terceira leituras no Knesset. Se for finalmente aprovada, a autoridade temporária do governo para encerrar meios de comunicação estrangeiros durante emergências tornar-se-á permanente, permitindo que este poder seja exercido a qualquer momento, independentemente da situação de segurança. Além disso, o projecto de lei propõe diversas alterações à legislação existente, incluindo a eliminação do actual requisito de revisão ou aprovação por um tribunal da decisão do Ministro das Comunicações de encerrar um meio de comunicação estrangeiro.
A legislação expandiria significativamente a autoridade do ministro das comunicações, permitindo-lhe: ordenar que plataformas de Internet e distribuidores de conteúdos bloqueiem ou removam materiais específicos em Israel; ordenar ao Ministro da Defesa que tome medidas técnicas – como a interrupção dos sinais de satélite – para impedir a recepção de transmissões consideradas prejudiciais à segurança nacional. A medida temporária atualmente em vigor foi aprovada em 2024, quando foi utilizada para encerrar as atividades da “Al Jazeera” e apreender temporariamente equipamentos pertencentes à agência “Associated Press”, uma vez que fornecia imagens à emissora pan-árabe por satélite, de propriedade do Catar. Segundo as autoridades israelitas, a cobertura da “Al Jazeera” é fortemente influenciada pelo movimento islâmico palestiniano Hamas, no poder em Gaza, e “colocaria em perigo” as Forças de Defesa de Israel (IDF) na Faixa.
O projecto legislativo atraiu críticas tanto em Israel como no estrangeiro, incluindo por parte do sistema judiciário, bem como de apoiantes da democracia e da liberdade de imprensa. Petições contra a medida foram apresentadas pela própria “Al Jazeera” e pela Associação para os Direitos Civis de Israel, segundo as quais a legislação “é inconstitucional, viola a liberdade de expressão, o direito à informação e a liberdade de imprensa”. Em Junho do ano passado, o Tribunal Distrital de Tel Aviv concluiu que havia “uma relação causal clara e comprovada” entre o conteúdo das emissões da “Al Jazeera” e os ataques perpetrados em Israel por grupos islâmicos, afirmando que alguns jornalistas da emissora do Catar em Gaza se tinham tornado “assistentes e parceiros de facto da organização terrorista Hamas”.