O ministro evocou ainda, “no momento certo”, a possível criação de “grupos pioneiros” no norte da Faixa, relembrando um léxico historicamente associado à experiência dos assentamentos, evacuados em 2005
Israel “não sairá da Faixa de Gaza”. O Ministro da Defesa afirmou isso Israel Katz falando num evento público na Cisjordânia, em declarações que marcam uma posição clara sobre o futuro da presença israelita no enclave palestiniano, sem se traduzirem num anúncio formal de anexação ou reinstalação imediata. “Estamos bem dentro de Gaza e não sairemos”, disse Katz, acrescentando que Israel permanecerá no território “para se defender e evitar que o que aconteceu volte a acontecer”, em referência ao ataque de 7 de outubro de 2023 e à guerra subsequente. O ministro evocou ainda, “no momento certo”, a possível criação de “grupos pioneiros” no norte da Faixa, recordando um léxico historicamente associado à experiência dos assentamentos, evacuados em 2005.
As declarações surgem num contexto político delicado. Katz, um dos principais membros do Likud, o partido do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, expressou uma linha que difere das garantias públicas fornecidas até agora pelo próprio Netanyahu, segundo as quais Israel não tem planos para reassentar Gaza ou manter uma ocupação permanente. As palavras do Ministro da Defesa também parecem contrastar com a abordagem dos EUA: o plano para Gaza promovido pelo Presidente Donald Trump exclui explicitamente uma ocupação israelita ou anexação do enclave. As declarações de Katz reflectem uma visão ideológica partilhada por sectores da direita nacionalista, mas ainda não traduzida em decisões governamentais operacionais. O jornal “The Times of Israel” relata que permanecem diferenças significativas dentro da coligação sobre a futura estrutura de Gaza. Por outro lado, a comunidade internacional continua a encarar com preocupação qualquer hipótese de presença militar israelita prolongada ou de regresso dos colonatos. As palavras do ministro parecem, portanto, ser vistas como uma mensagem política, e não como o anúncio de uma mudança imediata no terreno, mas contribuem para alimentar o debate sobre o destino da Faixa na fase pós-conflito.