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Iraque-Siria: bigode sagrado e ritos secretos, a identidade silenciosa de Kakais e Drusi

De acordo com uma análise publicada pelo portal “Shafaq News”, um ponto de contato entre as duas comunidades é representado acima de tudo na necessidade de sobrevivência espiritual em contextos de suspeita e marginalização

Entre as montanhas do Curdistão iraquiano e o alto druso do sul da Síria, duas comunidades religiosas aparentemente distantes compartilham uma forma de profunda resistência cultural, feita de silêncio, ritos reservados e símbolos de identidade que vão além da aparência. Estes são os Kakais-também conhecidos como Ahl-e Haqq, “Povo da Verdade”-e da comunidade Dusa, ambos conhecidos pela impenetrabilidade de seus preceitos religiosos e pelo uso do bigode como um sinal de fé.

De acordo com uma análise publicada pelo portal “Shafaq News”, a afinidade entre Kakais e Drusi se manifesta não apenas em rituais ocultos ou na proibição de conversão, mas acima de tudo em uma necessidade comum de sobrevivência espiritual em contextos de suspeita e marginalização. Para Kakais, a discrição é um pilar doutrinário. “Nossos ritos são destinados a Deus, não aos homens”, disse ele Ako Shaweisexpoente da comunidade, sublinhando como o sigilo fortalece o vínculo com o divino. Da mesma forma, na religião dusa, o acesso a textos sagrados é reservado para um círculo restrito, o uqqal, e a transmissão da fé permanece fechada para aqueles que não pertencem à comunidade desde o nascimento.

Outro ponto de convergência é o valor simbólico atribuído a lugares sagrados. Os Kakais realizam peregrinações ao santuário do sultão Ishaq, enquanto os locais venerados do DRUSE, como o maqam do Profeta Habil, na Síria ou Nabi Shuayb, na Galiléia, conectando a fé ao território e à memória. Mas é acima de tudo no significado do bigode que a força simbólica compartilhada é compreendida: para ambas as comunidades, é um sinal de lealdade religiosa e dignidade pessoal. “O bigode não está na moda, faz parte de um pacto espiritual”, explicou o estudioso Khurshid al-Kakai. Palavras relançadas também pelo líder da comunidade Abbas al-Kakai, que condenou firmemente os episódios recentes que ocorreram em Suwayda, onde algumas druras homens teriam sido raspadas pela força: “É uma violação da identidade, um ato de cancelamento simbólico”. O paralelo entre Kakais e Drusi – ambos relutantes com o proselitismo, tanto em busca de reconhecimento constitucional – destaca uma maneira alternativa de sobreviver no Oriente Médio fragmentado: mantenha sua alma não pela força, mas com fidelidade. Uma existência religiosa que escapa ao som do mundo para resistir silenciosamente do esquecimento.

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.