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Irã, Ministro das Relações Exteriores da Turquia intensifica atividade diplomática para ajudar a acabar com a guerra

“Nunca assumimos uma posição ambivalente em relação à guerra. Todos sabem que apontamos a todas as partes os erros cometidos”

O Ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, ele se envolveu em intensa atividade diplomática nas últimas horas para ajudar a pôr fim à guerra no Irã. Fontes informadas citadas pelo jornal turco “Daily Sabah” relataram que Fidan manteve conversações com o seu homólogo iraniano Abbas Araghchi, com responsáveis ​​norte-americanos não especificados, com o seu homólogo egípcio, Badr Abdelatty, e com a Alta Representante para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança da União Europeia, Kaja Kallas. Fidan também regressou este fim de semana de uma viagem ao Golfo para rever medidas para conter a escalada. Em Riade, na Arábia Saudita, o ministro turco participou numa reunião de emergência com homólogos dos países árabes e muçulmanos da região. Posteriormente, viajou primeiro para o Catar e depois para os Emirados Árabes Unidos.

Ontem, falando aos jornalistas em Ancara, Fidan observou que a confiança na Turquia está a crescer. “Nunca assumimos uma posição ambivalente sobre a guerra. Todos sabem que apontámos a todas as partes os erros cometidos. Expressámos com força e clareza a nossa opinião sobre o quão errado foi o que foi feito tanto ao Irão como aos países do Golfo”, disse o ministro turco. Fidan explicou ainda que os representantes dos países do Golfo envolvidos na escalada, durante a reunião de emergência organizada em Riade, declararam que poderão ser forçados a adoptar medidas se a situação persistir, sublinhando assim o aumento do nível de risco.

Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, “Israel quer influenciar os Estados Unidos e tentará impedir um cessar-fogo ou a conquista da paz no curto prazo”. Portanto, Fidan disse aos repórteres, “está se espalhando a crença de que as posições iniciais dos Estados Unidos e de Israel estão se distanciando”. Isto, sublinhou o ministro, “poderia levar a uma guerra mais longa”. Segundo Fidan, as negociações enquanto a guerra estiver em curso “não parecem muito prováveis”. No entanto, acrescentou, uma hipótese a considerar é que, com uma trégua de curta duração, “as partes podem iniciar conversações, mantendo aberta a opção de retomar a guerra, caso as discussões fracassem”.

O chefe diplomático da Turquia disse que depois da guerra “muitas mudanças” poderão ocorrer nos países do Golfo, que poderão começar a procurar “novas opções” na sua defesa. Após o fim do conflito, disse ainda o ministro, os países da região deveriam definir claramente as suas expectativas em relação ao Irão e, se certas condições fossem satisfeitas, “o foco poderia passar para a cooperação económica”. Ao mesmo tempo, acrescentou, Teerão “poderia fazer pedidos relativos às bases dos EUA no Golfo”. Fidan disse que a Turquia continuará a utilizar todos os canais diplomáticos, especialmente iniciativas regionais como a reunião realizada em Riade, a fim de acabar com a guerra o mais rapidamente possível.

Segundo o site de informação “Middle East Eye”, à margem da reunião de emergência em Riade, os ministros dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Arábia Saudita, Egipto e Paquistão reuniram-se para discutir juntos “como unir forças”. A Turquia, segundo rumores não confirmados oficialmente por Ancara, está a tentar estipular um pacto de segurança, em particular com o Paquistão e a Arábia Saudita. Vale a pena recordar que em Setembro passado o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, e o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, assinaram um acordo estratégico de “defesa mútua”. Em Janeiro, fontes turcas familiarizadas com o assunto disseram ao Middle East Eye que Ancara também estava a tentar envolver o Egipto num acordo mais amplo. No entanto, as fontes esclareceram que o potencial pacto não replicaria as garantias e compromissos da NATO, mas serviria antes como uma plataforma de segurança para permitir uma maior cooperação.

“Middle East Eye” observa que a Turquia tem uma vasta experiência em relações internacionais no que diz respeito à promoção de iniciativas institucionais e colectivas, mas o Paquistão, a Arábia Saudita e o Egipto também desempenham papéis regionais importantes. Além disso, a Turquia investiu fortemente na sua indústria de defesa, promovendo a produção interna de drones, mísseis e aeronaves avançadas, enquanto o Paquistão possui ogivas nucleares, a Arábia Saudita está a estabelecer-se como um importante centro de tecnologias avançadas, e o Egipto, a nação árabe mais populosa, é considerado um pilar da região graças às suas capacidades militares.

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.